Revisão gratuita? Desconfie!

De uma coisa todos podem estar certos: jamais o carro será retirado da oficina sem pagar nada ou apenas o valor simbólico

Por BORIS FELDMAN13/05/18 às 16h20

Ainda tem motorista que passa na porta da oficina, seja ela independente ou de concessionária, e acredita na faixa dependurada na fachada que diz: “ Revisão gratuita de trinta itens”. Tem outra também: “Revisão completa para viagem por apenas R$ 60”.

É evidente que nenhuma oficina vai se propor a fazer uma revisão grátis ou cobrando menos que uma diária de estacionamento. Mas então, por que o apelo publicitário?

Simples: não existe carro nenhum que entre para uma revisão que não necessite substituir pelo menos o óleo ou algum filtro, amortecedor, bucha da suspensão ou da direção.

Então, a revisão gratuita, ou de “apenas” R$ 60 começa a mostrar sua cara, logo depois de o dono ter deixado o carro na oficina para a tal revisão. É o momento em que recebe uma (ou várias) ligações da oficina. “A bomba de água está vazando, doutor”. Ou: “Madame, infelizmente a bucha da suspensão não vale mais nada”.

Simples: não existe carro nenhum que entre para uma revisão gratuita - ou paga - que não necessite substituir pelo menos o óleo ou algum filtro, amortecedor, bucha da suspensão ou da direção.
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Várias oficinas só pedem autorização para realizar um reparo realmente necessário. Mas algumas inventam uma série de itens num típico caso de “empurroterapia”. Exemplos? Limpeza dos bicos, descarbonização, lubrificação da maçaneta e outras patacoadas igualmente desnecessárias. E fazem teatro: “Madame! Sorte a senhora ter trazido o carro aqui hoje! Mais alguns quilômetros e o carro iria deixá-la a pé…”, “Doutor: tinha borra no cárter e seu motor já estava para fundir!”.

De uma coisa todos podem estar certos: jamais o carro será retirado da oficina sem pagar nada ou apenas o valor simbólico (R$ 60), pois a faixa lá na fachada não passa de um chamarisco para o dono levar o possante para a revisão. Os 30 itens estão sempre muito mal explicados, mas pode-se imaginar que cinco deles sejam “conferir a pressão dos pneus”, outros cinco para “verificar o nível de água, óleo e fluidos”, mais uns sete ou oito referentes às possíveis “lâmpadas queimadas” e alguns outros igualmente banais. Todos somados, não dá meia hora de mão de obra…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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