Baterias chinesas apresentam defeitos e ganham formato de banana em carros da GAC
Células incharam até ficar curvas em carros com mais de 150 mil km rodados; 72% deles atendiam táxi e transporte por aplicativo
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/08/2026 às 10h00
Células de lítio ferro fosfato (LFP) fornecidas pela CALB a carros elétricos da linha GAC Aion incharam e se deformaram até ficarem curvas, ganhando o apelido de “baterias banana”. A alcunha nasceu na internet chinesa para descrever um defeito que ganhou tamanha repercussão que a fabricante iniciou uma reforma interna de qualidade, segundo relato do jornal chinês Future Auto Daily.
A célula em questão é a LFP de 177 Ah da CALB, terceira maior fabricante de baterias da China, atrás de CATL e BYD. A química LFP é uma das mais usadas do mundo por três razões: dispensa níquel e cobalto, o que reduz o custo; é mais estável termicamente que as alternativas com níquel; e suporta mais ciclos de recarga. Por isso, tornou-se padrão em frotas. Dos 220,9 mil carros vendidos em 2023 com essa célula, 72% foram para serviços de transporte por aplicativo e táxi.
O que deu errado
Justamente a alta quilometragem dessas frotas expôs o problema: os relatos se concentram em veículos que já rodaram entre 150 mil e 300 mil quilômetros. Além do inchaço, proprietários do Aion S descreveram vazamento de eletrólito, falhas de isolamento, queda abrupta de autonomia e perda de potência com o carro em movimento — em alguns casos, o veículo parou de funcionar durante a condução.
As plataformas de defesa do consumidor 12365auto e Black Cat registraram 182 reclamações relacionadas a baterias na primeira quinzena de julho. A frota potencialmente envolvida é de cerca de 213 mil carros, com taxa de detecção de falhas de 4,7% — não está claro quantos veículos têm o defeito de fato.
Não houve recall. Em 18 de julho, GAC e CALB pediram desculpas publicamente e anunciaram medidas de serviço: a garantia da bateria dos modelos afetados subiu de oito anos ou 150 mil quilômetros para oito anos ou 300 mil quilômetros, com inspeções, reparos e substituições gratuitos. A montadora ainda prometeu compensar donos cujo conserto passe de cinco dias, e a CALB abriu um canal direto de manutenção.
O que a CALB mudou na fábrica
As mudanças foram reveladas pela imprensa chinesa, não anunciadas pela empresa. Segundo o Future Auto Daily, a CALB apertou o controle do revestimento dos eletrodos: a densidade de área, antes especificada entre 2,3 g/cm³ e 2,5 g/cm³, agora não pode variar mais de 1,5% — padrão que a companhia diz alinhar ao de líderes como a CATL. Também endureceu o monitoramento de umidade e ponto de orvalho na injeção do eletrólito e passou a guardar amostras de cada rolo produzido, e não uma por dia.
A empresa teria iniciado ainda uma auditoria reversa de matérias-primas e insumos comprados entre 2022 e 2023 e dado poder de veto ao departamento de qualidade, que pode descartar lotes inteiros. Segundo a publicação, esse poder é incomum entre fabricantes chinesas menores, pressionadas a entregar volume às montadoras.
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