Omoda & Jaecoo terá carros para PcD no Brasil após recorde de emplacamentos
Marca chinesa emplacou 5.757 carros em julho, sexto recorde seguido, e chegou a 2,2% do mercado; vendas diretas vêm em seguida
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/08/2026 às 11h00
A Omoda & Jaecoo oficializou que adotará o sistema de vendas diretas no Brasil — canal que dispensa a concessionária e atende principalmente pessoas com deficiência (PCD), frotistas e locadoras. O anúncio foi feito na quarta-feira (5), durante evento da Chery International Brasil, em São Paulo.
A empresa não informou quando o canal entra em operação nem quais modelos e públicos serão contemplados. No início do ano, porém, executivos já haviam sinalizado a intenção de vender com desconto a PCD e a pequenos frotistas — segmento que responde por parcela relevante do volume dos carros mais populares.
A decisão vem no melhor momento comercial da marca no país. Em julho, a Omoda & Jaecoo emplacou 5.757 veículos, o sexto recorde mensal consecutivo e a primeira vez que supera 5 mil unidades em um único mês. Com isso, passou de 20 mil carros vendidos em 2026 e chegou a 2,2% do mercado total, alta de 0,3 ponto percentual sobre junho. Nos segmentos de SUVs B, C e D, a fatia é de 5,4%; entre eletrificados, de 9,5%.
O Jaecoo 7 liderou, com 3.061 unidades, e ficou entre os dois híbridos plug-in mais vendidos do mês. O Omoda 5 registrou 2.551 emplacamentos, crescimento de 32% sobre junho e a segunda posição entre os híbridos plenos. O restante do volume vem do elétrico Omoda E5 e do Omoda 7. Para Leonardo Aredias, diretor de vendas e pós-vendas da marca no Brasil, o resultado mostra que a estratégia “não é mais sustentada por picos isolados de vendas”.
Modelos mais baratos a caminho
Para ganhar volume, a marca aposta em produtos mais acessíveis. O próximo lançamento deve ser o Jaecoo 5 Hybrid, posicionado abaixo do Omoda 5 e com preço estimado entre R$ 150 mil e R$ 160 mil. Híbrido pleno, o SUV enfrentaria Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Renegade. Depois vem o Omoda 4, previsto para o fim de 2026, e o Omoda 2, esperado para 2028 como carro de entrada. O Grupo Chery já anunciou o plano de trazer seis modelos entre R$ 80 mil e R$ 120 mil, distribuídos entre Omoda, Jaecoo e as marcas iniciantes Lepas e iCaur.
Fábrica e híbrido a etanol
A gama maior depende da produção local. A Omoda & Jaecoo confirmou que pretende fabricar parte de seus carros no Brasil e avalia comprar a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), negócio ainda não confirmado oficialmente — tampouco os modelos que sairiam da unidade. A rede, que atingiu 100 concessionárias em julho, deve encerrar o ano com 150.
A outra frente é o combustível. A partir de 2027, a empresa pretende oferecer híbridos capazes de rodar com gasolina e etanol, em conjuntos derivados do motor 1.5 turbo usado hoje nos híbridos plenos e plug-in da marca. Para 2028, o Grupo Chery desenvolve um 1.0 turbo de três cilindros já flex, voltado a mercados como o brasileiro, que poderia equipar o Omoda 2 — aplicação e eventual eletrificação ainda não confirmadas.
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