Audi vai à Justiça para barrar os elétricos da AUDI na Alemanha
Processo movido na Alemanha mira a Auto China, importadora que trouxe os elétricos E5 Sportback e E7X, criados com a SAIC
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 21/09/2026 às 08h00
A Audi acionou a Justiça alemã para impedir que os carros elétricos criados exclusivamente para a China sejam vendidos em seu próprio quintal. A marca do Grupo Volkswagen abriu processo contra a Auto China, importadora independente que passou a trazer, homologar e oferecer na Alemanha os modelos E5 Sportback e E7X, comercializados no mercado chinês sob a submarca AUDI.
Um porta-voz da fabricante disse ao jornal Automobilwoche que a empresa deu início a medidas judiciais contra o importador e vai fazer valer seus direitos de forma rigorosa. A Audi também afirma que os dois modelos não são exportados oficialmente para fora da China por canais autorizados pela Audi AG.
Desenvolvidos com a estatal chinesa SAIC, o E5 Sportback e o E7X são vendidos sob uma marca grafada em letras maiúsculas e sem os quatro anéis, criada para atrair consumidores jovens no maior mercado do mundo. O fastback E5, de 4,88 m, tem versões de 299 cv a 787 cv e até 773 km de autonomia no ciclo chinês CLTC. Já o E7X, SUV de 5,05 m lançado em maio, entrega 408 cv e 51 kgfm com tração traseira ou 680 cv e 81,6 kgfm na configuração quattro.
Na Alemanha, o preço quase triplica
O salto de preço ajuda a explicar o incômodo de Ingolstadt. Segundo a Automobilwoche, a Auto China pedia 59.980 euros (cerca de R$ 354 mil) pelo E5 Sportback e 72.900 euros (aproximadamente R$ 431 mil) pelo E7X na versão Flagship.
Os valores são líquidos: a eles se somam adaptador de recarga, homologação europeia, garantia de dois anos e frete. Com o imposto sobre valor agregado de 19%, o E5 chegava a 81.789 euros, ou perto de R$ 483 mil, 2,7 vezes o que o modelo custa na China, onde parte de 235.900 iuanes (algo como R$ 177 mil).
Sem rede oficial, manutenção vira problema
A fabricante afirma que suas concessionárias fora da China não podem atender esses carros, considerados fora da rede oficial nesses mercados, o que tende a gerar entraves de software, diagnóstico, peças e reparos.
O risco também recai sobre quem importa. Ansgar Klein, presidente da associação alemã de revendedores independentes (BVfK), afirmou à Automobilwoche que, sem autorização expressa do fabricante, o importador pode enfrentar disputas de marca com potencial destrutivo.
Em caso semelhante envolvendo o Volkswagen ID.6 chinês, uma decisão judicial proibiu as vendas e os carros já desembarcados tiveram de ser destruídos.
E5 Sportback e E7X desapareceram do site da Auto China, que não confirmou à Automobilwoche se a retirada teve relação com a ofensiva jurídica. A importadora segue oferecendo outros modelos chineses, de marcas como Xiaomi, Jetour, Zeekr e Huawei.
No Brasil, a submarca AUDI não é comercializada e a linha elétrica da Audi ocupa outro patamar de preço: o A6 Sportback e-tron, equivalente mais próximo do E5, é avaliado em torno de R$ 533 mil pela tabela Fipe, contra os cerca de R$ 177 mil do modelo chinês em seu mercado de origem.
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