BMW oferece R$ 3,7 milhões para funcionários se demitirem e procura derruba site de inscrições

Valor depende de salário, idade e tempo de casa; quem sair em março de 2027 leva bônus extra, e alguns mantêm descontos na compra de carros da BMW

BMW Group Fábrica Dingolfing; Montagem de Tecnologia; Montagem Frontend
BMW quer cortar cerca de 8 mil vagas até o fim de 2027, a maioria na Alemanha (Foto: BMW | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 21/10/2026 às 19h00

A BMW criou um programa de demissão voluntária que gerou tanto interesse que levou à queda do portal online de inscrições.

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O site interno, aberto no dia 8, mostra a cada funcionário o valor da própria indenização. Depois do excesso de acessos, a empresa suspendeu temporariamente novas inscrições, segundo o jornal alemão Handelsblatt.

Cerca de 40 mil funcionários na Alemanha, de áreas como administração, gestão e pesquisa, puderam consultar suas propostas. Operários da produção ficaram de fora.

Indenização passa de R$ 3,7 milhões

O Handelsblatt obteve um modelo confidencial do acordo com casos em que os pagamentos passam de € 650 mil, o equivalente a R$ 3,7 milhões.

O valor, porém, não é uma oferta padrão. Um porta-voz da BMW se recusou a confirmar o montante, e a maioria dos funcionários deve receber bem menos.

O cálculo leva em conta salário, idade e tempo de casa. Segundo o jornal Bild, funcionários com salário alto e longa carreira podem receber cerca de € 50 mil (R$ 286 mil) por ano trabalhado.

Há duas datas de saída: 31 de março ou 31 de outubro de 2027. Quem escolher a primeira leva um “bônus turbo”, além da indenização-base.

O dinheiro pode ser pago de uma vez, em parcelas ou como contribuição para a previdência privada.

Quem completar 55 anos até 31 de outubro de 2027 também poderá ter benefícios reservados aos aposentados da BMW. Alguns desligados ainda manterão descontos na compra de carros novos e usados da marca.

Corte de 8 mil vagas

Na Alemanha, quem deixa a empresa por vontade própria não tem direito por lei a indenização. Programas como esse, conhecidos no Brasil como PDV, pagam valores negociados para estimular as saídas.

A iniciativa faz parte do plano da BMW de cortar cerca de 8 mil vagas até o fim de 2027 e reduzir em 20% os cargos de gestão.

Segundo o Bild, a montadora reservou cerca de € 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) para as indenizações só neste ano.

Outras fabricantes seguem caminho parecido: a Porsche apresentou planos que afetam 5 mil vagas, e a Jaguar Land Rover abriu seu próprio programa de demissão voluntária.

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