Brasil se aproxima de 30 mil carregadores para carros elétricos e híbridos plug-in
Levantamento da ABVE e da Tupi aponta crescimento de 77% em um ano; carregadores rápidos já representam 38% da rede, presente em quase 2 mil cidades
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 25/09/2026 às 15h00
O Brasil está perto de atingir a marca de 30 mil pontos de recarga para veículos eletrificados. Segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da plataforma de mobilidade elétrica Tupi, o país tinha 29.896 pontos públicos e semipúblicos em agosto, em alta de 77% em relação ao mesmo mês de 2025.
O número representa um acréscimo de 4.441 pontos em relação ao estudo anterior, feito em maio, o que corresponde a uma expansão de 17,4% no trimestre. Quase 2 mil municípios, cerca de um terço das 5.570 cidades brasileiras, já têm ao menos um carregador, e mais de mil contam com recarga rápida.
A frota brasileira de carros 100% elétricos e híbridos plug-in soma 639.133 unidades, o que resulta em uma proporção de 21,4 veículos por ponto de recarga. Desse total, 313.140 (49%) são modelos movidos exclusivamente a bateria, e 325.993 (51%), híbridos plug-in.
Recarga rápida cresce mais
A maior fatia dos pontos mapeados é de recarga lenta, em corrente alternada (AC), com 18.485 unidades. Segundo a ABVE, esses equipamentos atendem ao uso cotidiano e ficam, em geral, em condomínios residenciais e comerciais, escritórios, estacionamentos de longa permanência e garagens de frotas.
Já os carregadores rápidos, em corrente contínua (DC), usados sobretudo em viagens, somam 11.411 unidades, ou 38,2% do total, e cresceram 32,6% entre maio e agosto.
O Sudeste concentra a maior parte da rede, com 12.673 pontos, seguido por Sul (7.270), Nordeste (5.581), Centro-Oeste (3.340) e Norte (1.015). O Nordeste teve o maior avanço no trimestre, de 22,8%. No Norte, que tem a menor rede, 58,1% dos pontos são de recarga rápida, a maior proporção do país.
De acordo com a ABVE, a expansão é impulsionada pela queda contínua no custo dos equipamentos, pela evolução tecnológica e pelo ganho de escala dos operadores. A entidade também cita a demanda crescente por viagens de média e longa distâncias, a eletrificação de frotas corporativas e logísticas e a maior confiança do consumidor.
Gargalo está na rede elétrica
Para Davi Bertoncello, diretor-executivo da Tupi, a principal dúvida do consumidor agora é se existe carregador no trajeto que ele percorre. Segundo ele, o custo dos equipamentos caiu, a tecnologia amadureceu e os operadores aprenderam a instalar.
“O gargalo agora é anterior ao carregador”, afirmou. O problema, diz, está no prazo e nas condições impostas para conectar uma nova carga à rede elétrica.
O tema é discutido na consulta pública 033/2026 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), aberta em 10 de setembro, que propõe modernizar as regras de conexão para geração distribuída, armazenamento de energia, veículos elétricos e cargas flexíveis. A consulta recebe contribuições até 9 de novembro.
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