Seca histórica no rio Danúbio revela moto do exército nazista afundada há 80 anos
A DKW NZ 350-1 estava no leito do rio em frente ao Parlamento húngaro, em Budapeste; placas intactas indicam que as famílias nunca foram avisadas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 25/09/2026 às 16h00
Atualizado em 25/09/2026 às 16h14
A seca histórica que baixou o nível do rio Danúbio neste verão europeu trouxe à tona, no centro de Budapeste (Hungria), uma motocicleta militar alemã da Segunda Guerra Mundial e os restos mortais de dois soldados da Wehrmacht, mais de 80 anos após o fim do conflito. Junto aos corpos, ainda não identificados, estavam duas placas de identificação inteiras.
A descoberta ocorreu em 2 de agosto, em frente ao Parlamento húngaro, num trecho do leito exposto pela vazante recorde. A moto foi retirada da lama por técnicos do Instituto e Museu de História Militar da Hungria, parceiro da Comissão Alemã de Cemitérios de Guerra (Volksbund), entidade que localiza e identifica militares alemães mortos em combate e que anunciou o achado.
No local, as equipes também encontraram minas antitanque, o que exigiu a atuação de esquadrões antibombas, além de um galão de combustível e uma condecoração militar.
Moto era usada em missões de reconhecimento
O modelo foi identificado como uma DKW NZ 350-1, desenvolvida para a Wehrmacht e usada a partir de 1944. Com motor monocilíndrico dois tempos 346 cm³ de 11,5 cv, refrigerado a ar, servia a missões de reconhecimento e ao transporte de ordens e mapas. Cerca de 12 mil unidades foram fabricadas até o fim da guerra, em 1945.
Mesmo coberta de lama e ferrugem, a DKW manteve praticamente intactos o quadro, as rodas, o tanque de combustível e os baús de carga. Segundo a comissão, a lama do porto, misturada a óleo diesel, ajudou a conservar a moto e as placas. A entidade afirma ainda que o modelo era considerado particularmente robusto e confiável na época.
A DKW foi depois incorporada à Auto Union, origem da atual Audi. No Brasil, a marca ficou conhecida pelos carros da Vemag, como o Belcar e a Vemaguet.
Identidade dos soldados ainda é mistério
Quando um soldado morria, metade da placa ficava com o corpo e a outra era enviada a Berlim para que a família fosse avisada. O fato de as duas metades estarem juntas indica que as mortes nunca foram comunicadas oficialmente.
À emissora americana Fox News, a porta-voz da Volksbund, Diane Tempel-Bornett, disse que as placas ainda estão sendo decifradas e que a identidade dos soldados segue desconhecida. Segundo ela, o fato de estarem ao lado dos corpos não garante que pertencessem a eles, embora isso seja possível.
Para identificar os militares, especialistas analisam altura, idade e possível origem, além de objetos pessoais como alianças, óculos, joias e documentos, e cruzam os dados com registros militares. A causa das mortes também é incerta: a porta-voz afirmou que só é possível especular se os soldados tentaram atravessar o Danúbio congelado, sofreram uma queda, foram baleados ou se afogaram.
O local foi palco da Batalha de Budapeste, travada entre outubro de 1944 e fevereiro de 1945, na qual morreram cerca de 30 mil soldados alemães. Após a análise, os dois militares serão sepultados no cemitério de guerra de Budaörs, nos arredores da capital húngara.
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