Brasil ultrapassa Rússia e vira o maior comprador de carros chineses do mundo

País importou US$ 5,2 bilhões em carros chineses de janeiro a maio; eletrificados sozinhos são US$ 4,5 bilhões do total

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Nem Rússia, nem Bélgica: o maior comprador de carros chineses do mundo agora é o Brasil (Foto: BYD | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 29/07/2026 às 09h00

O Brasil virou o maior comprador de carros chineses do mundo. Entre janeiro e maio de 2026, o país importou US$ 5,2 bilhões (R$ 26,7 bilhões) em veículos fabricados na China e passou à frente da Rússia (US$ 5 bilhões) e da Bélgica (US$ 3,8 bilhões), segundo dados da alfândega chinesa compilados pelo jornal Valor Econômico. O avanço é de 146,9% sobre os US$ 2,1 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. No levantamento do ano passado, o Brasil aparecia apenas na sexta posição entre os maiores importadores.

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Dos US$ 5,2 bilhões, US$ 4,5 bilhões correspondem a eletrificados — elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos convencionais. Só em abril e maio, a categoria movimentou US$ 2,7 bilhões. A fatia de elétricos e híbridos no total de veículos que o Brasil compra da China subiu de 33% em 2021 para 87% em 2025.

Nesse recorte, o país também lidera o ranking global, à frente de Bélgica e Reino Unido (US$ 3,4 bilhões). Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostra que, no primeiro semestre, os eletrificados responderam por 15% de tudo o que o Brasil importou da China. Os elétricos puros somaram US$ 2 bilhões, quatro vezes o valor do ano anterior, e os híbridos plug-in, US$ 2,79 bilhões, o dobro.

A corrida contra o imposto

Boa parte da explicação está no calendário tributário. Desde 1º de julho, o imposto de importação para elétricos montados no exterior subiu de 25% para 35%, teto previsto no cronograma de reoneração definido em 2023 pelo Gecex. Híbridos convencionais e plug-in também chegaram aos 35%, vindos de 30% e 28%.

Com a data se aproximando, as marcas correram para adiantar embarques. Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, avaliou ao Valor que as compras se intensificaram justamente para escapar da tarifa e que agora deve haver acomodação, com o estoque formado atendendo às vendas internas. Ele não espera queda acentuada: o interesse do consumidor brasileiro segue alto, inclusive nas classes média e média-alta.

O Brasil emplacou 215.023 eletrificados leves no primeiro semestre, alta de 125% sobre as 95.493 unidades do mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O ritmo é cerca de seis vezes superior ao crescimento de 19,4% do mercado automotivo como um todo.

A contrapartida é uma rota comercial assimétrica. As exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,3 bilhões no semestre, recorde para o período, mas concentradas em commodities de baixo valor agregado. Na direção oposta chegam automóveis eletrificados, produtos de margem bem maior.

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