Brasil vive grave escassez de caminhoneiros; 88% das empresas têm dificuldades nas contratações

Com caminhões parados e custos em alta, setor de cargas enfrenta crise de rentabilidade e projeta ano de estagnação em 2026

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Falta de motoristas mantém frota ociosa e pressiona custos no transporte rodoviário de cargas (Foto: Volvo | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/03/2026 às 11h00

A escassez de mão de obra qualificada consolidou-se como um dos principais gargalos do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Segundo levantamento nacional da NTC&Logística, 88% das empresas do setor relatam dificuldades para contratar motoristas e agregados. O problema já se traduz em frotas ociosas: entre as transportadoras que afirmaram ter veículos parados, a média é de oito caminhões parados por empresa por falta de condutores.

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O estudo revela que o “apagão” de profissionais é hoje a segunda maior limitação ao crescimento do segmento, apontada por 28,1% dos entrevistados. O entrave fica atrás apenas da retração do mercado interno (40,7%), mas supera a dificuldade de acesso ao capital (17%).

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A pressão financeira agrava o cenário. No transporte rodoviário de cargas, os motoristas representam 19,5% dos custos operacionais, atrás apenas do combustível (43,2%) e dos veículos (29,1%). Nos últimos 24 meses, a despesa com mão de obra acumulou alta de 13,42%, superando a variação dos insumos técnicos. Apesar da pressão, o repasse ao frete é insuficiente: a defasagem média entre os custos calculados e os valores efetivamente recebidos pelas empresas é de 10,1%.

O setor também lida com o impacto de novas regulamentações, como os custos de seguros da Lei 14.599/23 e decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de descanso, que reduziram a disponibilidade da frota. Para 2026, o cenário de incerteza trava investimentos: 61,5% das empresas não pretendem renovar a frota, embora 92,6% planejem aplicar recursos em treinamento para mitigar a falta de profissionais.

A entidade alerta ainda que o ano inicia sob pressão da reoneração da folha de pagamento e da Selic elevada. Para a maioria das transportadoras (57%), a perspectiva é de estabilidade, enquanto quase 30% já projetam uma piora no ambiente de negócios nos próximos meses.

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15 Comentários
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Cláudio 6 de março de 2026

Sou caminhoneiro a questão não só o salário hoje essa área é perseguida de todos os lados uma falta de desrespeito com tanto do lado da empresa onde vai carregar como onde vai descarrega pior ainda com o órgão q deveria nos proteger que é a polícia PRF se vc trabalha te prende se vc parar e cumprir o que eles pede te multa quem vai querer isso.
Hoje é melhor vc trabalha em uma empresa q te leva de ônibus tem horário ganha menos mas não te chama de drogado e nem te olha como uma pessoa sem valor algum

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Cláudio 6 de março de 2026

Sou caminhoneiro O problema da falta de profissionais nessa área não é só o salário mas sim a falta de valorização como desrespeito tanto da empresa onde vai carregar maior ainda onde vai descarrega sem falar na estrada com o órgão q deveria nos proteger q é a polícia se vc anda te prende se vc parar te multa aí tá difícil trabalhar como caminhoneiro

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Lucas 5 de março de 2026

Tem a questão do salário e tbm entra a questão da experiência muito jovens hoje em dia não estão conseguindo a vaga porque as empresas pedem experiência como um jovem que acabou de passar sua carteira de motorista pra D ou E vai conseguir a vaga se a empresa não estão dando oportunidade pra eles se qualificarem aí tbm fica difícil pra todos e só uma visão não me levam a mal

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Juliano 4 de março de 2026

Aonde ta faltando motorista… o que mais tem é caminhão rodando…

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Gustavo 4 de março de 2026

Sou motorista mais com esse salário não tem jeito de trabalhar de motorista estou buscando outro serviço

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Jeferson Oliveira 4 de março de 2026

Sou caminhoneiro autônomo e mesmo com a falta de motorista estou parado,pois os valores de frete não estão compensando rodar,como está faltando profissionais e o segmento não paga o que vale apena trabalhar,assim foca difícil ne…

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Hewerton Grecco 4 de março de 2026

Sou motorista D. Pensei em tirar a E. Más não falta mão de obra, o problema é muita exigência, salário defasado e outros motivos que me fez desistir e ficar aonde estou.

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Jeferson Oliveira 4 de março de 2026

Entendo que se as transportadoras com veículos próprio tiver respeito aos profissionais,pagamentos justo e folgas respeitosas,esse seguimento tem uma reviravolta significante,e aos autônomos,se tiver um valor no frete que realmente vale apena,carregamento e descargas com respeito ao chofer muda esse quadro,as empresas querem pagar uma mixaria prós funcionários,as transportadoras estão querendo ganhar mais que os donos de caminhão e principalmente as descargas cada vez mais demoradas,não tem quem aguente…

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Sebastião Rodrigues Filho 4 de março de 2026

Sou caminhoneiro e instrutor master driver.
Na minha visão além de toda essa burocracia para dar oportunidades e o baixo salário como também falta de segurança um dos maiores desatrativos que temos são o excesso de tecnologia retirando todo o controle do motorista e passando a substituir o ser humano por software. Quando estava me formando em instrutor aprendi que o ser humano é movido por adrenalina e desafios coisa que hoje não existe mais para conduzir caminhão! O caminhoneiro hoje vai sentir interesse em gerar adrenalina usando um piloto automático assistido?
O jovem que está aprendendo ou ganhando experiência no trecho vai se interessar por desafio de média de combustível se o veículo consegue atingir isso sozinho?
No quesito segurança como que vai funcionar a adrenalina em atenção se eu tenho o conforto de um veículo para sozinho diante de um obstáculo?
Como que o motorista vai ter interesse de ganhar experiência ao subir ou descer uma serra se o veículo faz tudo sozinho? Acredito que para ser caminhoneiro você primeiro tem que se apaixonar como também qualquer outra profissão a paixão pelo que faz é o que motiva a continuar ao ensinar e repassar os conhecimentos para gerar experiências futuras!
Na realidade as montadoras querem substituir os operadores e a legislação ainda não deixou que os veículos passem a ser autônomos!
Na minha experiência ninguém se apaixona por nada que seja fácil!
E o que as montadoras desenvolveram durante vários anos para melhorar a qualidade de vida do motorista passou a dificultar encontrar novos motoristas!

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RONEIBEATRIZ 4 de março de 2026

SERRA DE SAO VICENTE CAFEZAL PETROVINA ARARAS PIQUETE E OUTRAS E EU DE FIAT 190 H BARRACAO DE ZINCO PURA ADRENALINA ….CETADOIDO

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Ricardo 4 de março de 2026

As empresas dificultam bastante o início de carreira de novos motoristas. Exigem experiência de dois, três anos. Como vamos começar se não abrem as portas. A ideia seria bateu na porta procurando oportunidade. Pega ensina o camarada a trabalhar e põe pra rodar. Fica a dica.

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André Luiz 3 de março de 2026

Transportadoras reclamem com as seguradoras. Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, estão bloqueando motorista de carregar.

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Maurício 3 de março de 2026

Sou motorista carreteiro e se tem uma coisa que eu faço com muito amor é dirigir caminhão, mas estou fora de atividade a mais de dez anos porque esse salário de fome que essas empresas pagam é melhor trabalhar de ajudante de obras, quando tiver um salário que presta eu volto pra estrada, obrigado pessoal

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RONEIBEATRIZ 4 de março de 2026

Salario ruim .parei em maio de 2024 .estou refletindo se vale a pena voltar. Amo a profissao .

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Rodolfo 3 de março de 2026

Tem que ver também o que o outro lado da moeda diz, ou seja, os ex-caminhoneiros.

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