BYD elétrico roda 30 mil km a 240 km/h e sua bateria perde só 1,3% da capacidade
Sedã de mais de três toneladas rodou por oito dias em circuito chinês sob calor de 36°C e passou por mais de 350 recargas rápidas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/09/2026 às 08h00
A BYD colocou um sedã elétrico de mais de três toneladas para rodar 30 mil quilômetros a 240 km/h — o dobro do limite máximo permitido em rodovias brasileiras —, sob calor acima de 36°C, e recarregou a bateria mais de 350 vezes em pouco mais de oito dias. Ao fim, as células haviam perdido 1,3% da capacidade original.
O Yangwang U7, sedã da marca de luxo do grupo chinês, completou o percurso em 8 dias, 19 horas e 58 minutos, em circuito fechado em Nanning, no sul da China. Segundo a fabricante, a umidade relativa chegou a 80% e o ar-condicionado permaneceu ligado a 24°C do começo ao fim. A bateria terminou a maratona com 98,7% da capacidade.
A montadora insiste que não se tratava de um protótipo. Hu Xiaoqing, gerente-geral da Yangwang, afirmou que a unidade foi retirada aleatoriamente de uma concessionária, sem preparação nem modificação, e que a empresa aceita ver o teste repetido por instituições independentes.

Por que 30 mil km, e não 15 mil
O número não é arbitrário. A China está elevando de 15 mil para 30 mil quilômetros a quilometragem mínima dos testes de durabilidade em via exigidos dos veículos de nova energia (elétricos, híbridos, a hidrogênio etc) — o mesmo patamar cobrado há anos dos carros a combustão. A mudança foi noticiada pelo China Daily em agosto.
Ao jornal, Cui Dongshu, secretário-geral da associação chinesa de montadoras de veículos de passageiros (CPCA), classificou o antigo limite como uma concessão temporária ao setor elétrico e disse que a unificação das regras sinaliza a maturidade do segmento. Traduzido: a BYD acaba de rodar, por conta própria, o teste que passará a ser obrigatório.
A referência mais próxima é alemã: em 2025, a Mercedes-AMG percorreu 40.075 km com o protótipo GT XX em 7 dias, 13 horas e 24 minutos. A diferença está no objeto testado: lá, um conceito; aqui, um carro de série.
A tecnologia já desembarcou no Brasil
O U7 foi o primeiro modelo do grupo a receber a bateria Blade de segunda geração, projetada para suportar os carregadores Flash Charging, de até 1.500 kW por conector. Na semana passada, no Festival Interlagos, a Denza — marca premium da BYD — apresentou o equipamento no Brasil e prometeu mil unidades no país até o fim de 2027, a começar por uma concessionária em Brasília. Os melhores carregadores rápidos por aqui giram em torno de 300 kW.
Por ora, o único carro à venda no Brasil capaz de aproveitar essa potência é o Denza Z9 GT, de R$ 670 mil. Modelos de maior volume, como o Dolphin Mini, seguem limitados aos próprios sistemas.
O Yangwang U7 elétrico soma 1.306 cv e 161,5 kgfm com quatro motores, vai de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e atinge 300 km/h. São duas baterias: 135,5 kWh, com 800 km de autonomia no ciclo chinês CLTC, e 150 kWh, com até 1.006 km. Na China, parte de 658 mil yuans, cerca de R$ 505 mil. Não há previsão de venda no Brasil.
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