Chefe de design da Volkswagen critica carros agressivos e defende visual mais amigável
Andreas Mindt afirma que a obsessão da indústria por frentes intimidadoras não tem sentido e critica o desenho dos primeiros elétricos da marca
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/09/2026 às 09h00
O chefe global de design do Grupo Volkswagen resumiu em uma frase o que pensa da moda das frentes agressivas nos carros: não quer viver em um mundo com carros que parecem ter sido desenhados para matar zumbis.
Andreas Mindt chamou a tendência de “sem sentido” em entrevista à revista holandesa AutoWeek. E identificou um cálculo por trás das grades enormes e dos faróis estreitos: motoristas saem da frente quando enxergam algo ameaçador no retrovisor. Marcas fariam isso, segundo ele, apenas para parecer cool. “Você pode achar que é o mais forte, mas, se não é, isso é sem sentido”, disse.
O exemplo que ele deu não vem de uma picape gigante. É o Audi A1: pelo retrovisor, o desenho tenso do compacto sugere que vem algo muito rápido atrás, o motorista libera a faixa da esquerda e só depois percebe o tamanho real do carro.
A crítica mais dura foi para dentro de casa

Mindt não poupou a própria empresa. Sobre o ID.3 anterior ao facelift, disse que o carro não parece um Volkswagen de verdade, que não se vê o DNA da marca nele e que ele poderia perfeitamente ser de outra fabricante. Os primeiros modelos da família ID. foram deliberadamente futuristas para marcar ruptura com o passado — e, na avaliação atual do designer, foram longe demais.
O ID.3 Neo, recém-lançado, e o ID. Polo são a correção de rota. Nenhum dos dois grita que é elétrico. Ambos também recuperam comandos físicos e abandonam as barras sensíveis ao toque, depois de anos de reclamação de clientes. O ID. Polo é o primeiro Volkswagen desenhado inteiramente sob a nova linguagem da marca, batizada de Pure Positive.
A referência histórica é familiar ao brasileiro. Mindt já descreveu o Fusca como um carro otimista e simpático, que não dava a impressão de querer devorar a rua. No ID. Polo, a bolha sobre as caixas de roda dianteiras repete o desenho do Fusca, e as lanternas traseiras são círculos completos, sem pontas soltas.
Nem todo o grupo vai ficar simpático
A diretriz não se aplica às onze marcas do conglomerado. Mindt reconheceu que Lamborghini e Cupra precisam manter personalidade própria, e que nelas o desenho agressivo continua fazendo sentido.
O designer também conecta o visual mais acolhedor à transição elétrica, e aqui o argumento é menos óbvio do que parece: para ele, o carro a bateria não precisa se anunciar como diferente, e o motorista de combustão não deve ser tratado como vilão. O que deve levar as pessoas ao elétrico, na leitura de Mindt, é o preço do combustível — não a pressão moral de quem já trocou.
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