Carro com juro menor para motorista de aplicativo emperra no banco, e programa chega a só um terço da meta

Programa já soma R$ 6,9 bilhões em financiamentos, mas aprovação de crédito e custos de manutenção pesam na decisão entre comprar e alugar um veículo

06/06/2023 Brasília (DF) Venda de carros na Cidade do Automóvel em Brasília Foto Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
Move Brasil financiou 65,8 mil carros para taxistas e motoristas de aplicativo (Foto: Agência Brasil | Rafa Neddermeyer)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/10/2026 às 09h00

O Move Brasil, programa federal que facilita a compra de carros por taxistas e motoristas de aplicativo, chegou a um terço da meta.

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Até segunda-feira (26), foram financiados 65,8 mil veículos, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No lançamento, em maio, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, estimou que ao menos 200 mil carros seriam vendidos.

O crédito aprovado e contratado soma R$ 6,9 bilhões, cerca de 23% dos R$ 30 bilhões disponíveis.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) considera o resultado positivo. Segundo a pasta, o volume é mais de três vezes o que o segmento compraria em quatro meses no ritmo habitual, estimado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores em 4,4 mil carros por mês.

Aprovação depende do banco

Ser aceito no programa, entretanto, não garante o empréstimo. Depois da aprovação do cadastro, o motorista precisa procurar uma instituição financeira, que avalia seu histórico e sua capacidade de pagamento.

A conta também varia para cada motorista. Rogério Rodrigues da Silva, de 44 anos, ouvido pela Folha de S.Paulo, trocou o carro alugado por um financiado. Segundo ele, o gasto mensal ficou parecido, e a vantagem é terminar o contrato com um bem que pode servir de entrada no próximo carro.

Já Júnior Santana, de 50 anos, prefere seguir alugando, por cerca de R$ 3.600 por mês. Ele roda cerca de 300 km por dia, e o aluguel deixa revisões, pneus e suspensão por conta da locadora.

Regras mudaram desde o lançamento

Em agosto, o teto do valor dos carros subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e o prazo máximo de pagamento passou a 84 meses. Em setembro, o programa virou lei permanente, que reduziu de 12 para 6 meses o tempo mínimo de cadastro exigido dos motoristas de aplicativo.

Os juros máximos são de 12,6% ao ano para homens e de 11,5% para mulheres, abaixo dos praticados no mercado, segundo o Mdic.

Maior participante, o Banco do Brasil diz que 54% dos financiamentos que concedeu a taxistas e motoristas de aplicativo foram de carros elétricos.

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