Fábrica de peças de suspensão cria sala só para ensinar a ‘faxina’ japonesa aos funcionários
Programa de origem japonesa soma cinco sensos, como limpeza e disciplina, à segurança; Thyssenkrupp diz que método corta até 30% do desperdício
Publicado em 29/10/2026 às 10h00
A Thyssenkrupp Springs & Stabilizers criou uma sala só para ensinar seus funcionários a organizar, limpar e manter seguro o ambiente de trabalho.
O Centro de Desenvolvimento Prático de 6S fica na fábrica de Ibirité (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde a divisão do grupo alemão produz molas e barras estabilizadoras para montadoras.
O espaço vai treinar os funcionários com simulações e situações inspiradas na rotina da linha de produção.
A fábrica foi instalada em 1998 para atender a Fiat, que produz carros na vizinha Betim, e hoje se dedica a componentes para veículos leves.
O que é o 6S
O 6S é uma versão ampliada do 5S, programa de origem japonesa ligado à chamada produção enxuta (lean, em inglês), filosofia de gestão voltada a eliminar desperdícios que se espalhou pela indústria automotiva.
O nome vem de cinco palavras japonesas — seiri, seiton, seiso, seiketsu e shitsuke —, que correspondem aos sensos de utilização, organização, limpeza, padronização e disciplina.
Na prática, significa tirar da bancada o que não é usado, deixar cada ferramenta em lugar definido, limpar e inspecionar os equipamentos e transformar isso em hábito. O sexto S, de segurança, deixa explícita a ligação entre um ambiente arrumado e a prevenção de acidentes.
Segundo a empresa, a metodologia permite reduzir em até 30% os desperdícios. Em Ibirité, ela é combinada a outras ferramentas de origem japonesa, como o kaizen (melhoria contínua em pequenos passos) e o gemba (o chão de fábrica, onde os problemas devem ser resolvidos na origem).
“Queremos tornar os treinamentos mais dinâmicos e conectados à realidade dentro da fábrica”, afirma Rita Souza, gerente de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Melhoria Contínua da empresa no Brasil.
Nota dada pelas montadoras
De acordo com a Thyssenkrupp, o programa já aparece nos índices de qualidade que as montadoras usam para avaliar seus fornecedores: quanto menos defeitos nas peças entregues, maior a pontuação.
A unidade mineira afirma ter alcançado bom desempenho nesses indicadores.
O Brasil concentra cerca de um quarto dos 2.500 funcionários e das vendas globais da divisão, que tem outra fábrica no país, em São Paulo, voltada a componentes para caminhões e ônibus.
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