Carro elétricos com alta quilometragem reprovam menos que carros a gasolina em inspeção no Reino Unido
Levantamento com 47,4 milhões de inspeções mostra reprovação de 16% entre elétricos com mais de 193 mil km, ante 23,5% dos modelos a gasolina
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 30/09/2026 às 08h00
Carros elétricos com alta quilometragem apresentaram menor taxa de reprovação que modelos a gasolina na inspeção veicular obrigatória do Reino Unido. O resultado vem de um estudo da consultoria New AutoMotive, encomendado pela British Vehicle Rental and Leasing Association (BVRLA), que analisou 47,4 milhões de testes MOT em veículos de três a oito anos.
Entre os elétricos com 145 mil a 193 mil km rodados, 16,5% foram reprovados, contra 22,1% dos carros a gasolina de mesma idade e quilometragem, uma taxa cerca de 25% menor.
A diferença aumenta entre os veículos com mais de 193 mil km: a reprovação dos elétricos ficou em 16%, enquanto a dos modelos a gasolina chegou a 23,5%. Em quilometragens menores, a vantagem praticamente desaparece. Entre 32 mil e 64 mil km, os elétricos tiveram 12% de reprovação, ante 11,7% dos veículos a gasolina.
O estudo utilizou os registros oficiais do MOT, inspeção anual obrigatória no Reino Unido para veículos com mais de três anos. O teste verifica padrões mínimos de segurança e emissões, incluindo pneus, direção, suspensão, freios, luzes e estrutura do veículo, mas não avalia a capacidade restante da bateria de um elétrico. Nos carros a combustão, também não são considerados o desempenho do motor ou a condição da transmissão.
No Brasil, não há exame equivalente em vigor. A inspeção técnica periódica está prevista no artigo 104 do Código de Trânsito Brasileiro, mas a resolução do Contran que a implantaria foi suspensa em 2018.
Pneus e freios pesam contra
O estudo também apontou quase o dobro de defeitos nos pneus dos elétricos: 1,8 vez mais que nos carros a gasolina. Nos modelos de alta quilometragem, os problemas de freio foram bem menos frequentes, mas elétricos mais antigos e pouco rodados apresentaram mais falhas nos freios de fricção.
Os pesquisadores atribuem o defeito à corrosão, já que a frenagem regenerativa faz com que os componentes de fricção sejam menos acionados.
Idade não é tudo
Segundo Ben Nelmes, diretor-executivo da New AutoMotive, o diferencial do levantamento é separar idade de quilometragem. Ele afirmou à publicação britânica Fleet News que olhar apenas os números gerais do MOT distorce o quadro, porque a frota elétrica do país é bem mais jovem que a de carros a gasolina e diesel, mas costuma rodar muito mais.
Na comparação entre veículos de mesma idade e quilometragem, a partir de cerca de 97 mil km a taxa de falhas dos elétricos se estabiliza, enquanto a dos carros a gasolina continua subindo. Para Nelmes, a simplicidade mecânica do trem de força elétrico ganha valor à medida que o carro acumula quilômetros.
Há ressalvas. A pesquisa não permite avaliar a condição das baterias, um dos principais componentes de um elétrico de alta quilometragem. Além disso, como observou o site Carscoops, a BVRLA representa mais de mil empresas de locação, leasing e gestão de frotas no Reino Unido, muitas delas com elétricos rodados prestes a chegar ao mercado de usados.
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