Carro está mais barato: preço cai 4,7% em um ano, e um segmento perde quase 10%
Levantamento da Tabela Auto B3 mostra recuo de 1,2% nos zero-quilômetro e de 1,0% nos usados apenas entre junho e julho
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/09/2026 às 08h00
Atualizado em 01/09/2026 às 08h23
O preço médio dos carros vendidos no Brasil caiu 4,7% nos 12 meses encerrados em julho, tanto entre os zero-quilômetro quanto entre os usados. Os dados são da Tabela Auto B3, levantamento da Trillia, braço de dados e inteligência artificial da B3, e consideram o preço efetivamente pago na transação, não o valor de tabela.
Na comparação mensal, o recuo foi de 1,2% nos novos e de 1,0% nos seminovos e usados entre junho e julho. O movimento de baixa se estende por vários meses e não se distribui de forma uniforme entre as carrocerias.
Entre os zero-quilômetro, a maior desvalorização em 12 meses ficou com as picapes compactas, de 9,4%, seguidas pelos crossovers, com 5,3%, e pelos SUVs, com 4,4%. Na outra ponta, as quedas mais contidas apareceram nas picapes médias, com 1,3%, nos hatches, com 3,4%, e nas picapes intermediárias, ou derivadas de automóveis, com 4,3%.
No mercado de usados, o ranking se inverte. Os SUVs lideram as perdas do período, com 8,2%, à frente das picapes compactas e dos crossovers, ambos com 7,6%. Hatches, com 1,2%, picapes intermediárias, com 2,1%, e sedãs, com 2,6%, foram os que menos se desvalorizaram.
Por que os preços estão caindo
Nos últimos meses, montadoras cortaram preços de carros novos em até R$ 55 mil, inclusive em modelos recém-lançados. Segundo especialistas ouvidos pela Quatro Rodas, o movimento tem duas origens principais: a guerra de preços deflagrada pela chegada em massa das marcas chinesas e a estratégia de preço sem risco, em que a fabricante lança o modelo com desconto de pré-venda e prorroga a condição depois, com receio de que o produto não engate.
O reposicionamento na ponta dos novos arrasta os usados. Quando um zero-quilômetro fica mais barato, o seminovo equivalente perde valor de referência e precisa acompanhar a correção para continuar competitivo.
Financiamento recorde e prazo mais longo
A queda de preços convive com um mercado de crédito aquecido. Foram 674.735 veículos financiados em julho, o maior volume para o mês desde 2008 e alta de 5,6% sobre julho de 2025, também segundo a Trillia. De janeiro a julho, as operações somam 4,452 milhões, avanço de 10% na comparação anual.
O prazo médio dos contratos, porém, se alongou de 45 para 47 meses em um ano, o que ajuda a sustentar a demanda mesmo com juros elevados.
Nem todos os indicadores apontam na mesma direção. O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha preços de anúncio de usados leves, registra alta de 6,10% em 12 meses até julho, ainda que em desaceleração. A divergência decorre da metodologia: a B3 mede o valor pago em operações financiadas, enquanto o índice do BV parte dos preços pedidos no varejo.
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