Carro voador da Embraer conclui etapa mais difícil do voo em novo teste

A transição entre voo vertical e horizontal é o teste que separa o eVTOL da certificação; a Eve deu o primeiro passo e quer chegar a 92 km/h

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Carro voador da Embraer ativou hélice traseira em voo e inicia a fase mais difícil dos testes (Foto: Eve | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/08/2026 às 11h00

O protótipo do eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, realizou seu primeiro voo da fase de transição, a etapa mais complexa do desenvolvimento desse tipo de aeronave: aquela em que o aparelho deixa de ser sustentado pelos rotores, como um helicóptero, e passa a voar apoiado nas asas, como um avião. A empresa divulgou o resultado na segunda-feira (3).

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Foi uma transição parcial. O ensaio, realizado na unidade de ensaios em voo da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, marcou a primeira ativação em voo da hélice propulsora traseira, o dispositivo que empurra a aeronave para a frente depois da decolagem vertical. O protótipo, não tripulado e em escala real, atingiu velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice girando a até 1.200 rpm. O voo durou 3 minutos e 9 segundos, percorreu cerca de 1,55 km e alcançou 27 metros de altura em relação ao solo.

Por que a transição é o teste mais difícil

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Protótipo da Embraer durante seu voo de transição em Gavião Peixoto (SP) (Foto: Eve | Divulgação)

É nessa manobra que o eVTOL troca a sustentação dos rotores pela das asas sem perder altitude nem controle. Validar a passagem é condição para avançar na certificação e, depois, na operação comercial. “Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante”, afirmou em nota Johann Bordais, CEO da Eve.

Segundo Marcelo Basile, diretor de engenharia da companhia, o ensaio confirmou as principais metas de desempenho previstas para o início da fase, e os dados coletados vão sustentar a ampliação gradual do envelope de voo, o conjunto de limites de velocidade, altitude e comportamento dentro dos quais a aeronave está autorizada a operar.

Próximos passos

A equipe de engenharia segue com análises de cargas e estruturais antes de elevar esses limites. Na sequência, a Eve prevê ensaios de enlace de dados, para validar a comunicação por rádio e dar suporte a operações de até 50 nós (92 km/h). Nas próximas semanas, a expectativa é ampliar progressivamente a faixa de velocidade.

O protótipo voa desde 19 de dezembro de 2025, quando fez o primeiro voo pairado. Em março, a aeronave foi apresentada em voo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a autoridades do setor. Criada em 2020 a partir da EmbraerX, braço de inovação da Embraer, a Eve acumula cerca de 2,7 mil cartas de intenção de compra e mira a certificação de tipo e a entrada em serviço entre 2027 e 2028. Desde 2022, recebeu R$ 1,4 bilhão em financiamento do BNDES.

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