Hipercarro elétrico espanhol de 1.115 cv prioriza o motorista em vez da automação excessiva
Hipercarro espanhol de 1.115 cv usa mais de 100 sensores para agir só quando preciso; calibração teve a mão de um ex-piloto de Fórmula 1
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/08/2026 às 10h00
Enquanto boa parte da indústria enche as cabines de telas e adiciona assistentes que assumem cada vez mais o volante, a espanhola Hispano Suiza escolheu o caminho contrário. A marca detalhou a arquitetura eletrônica do Carmen Sagrera, o terceiro integrante de sua família de hipercarros elétricos, construída sob um conceito que a própria fabricante batizou de “tecnologia invisível”: um software que trabalha nos bastidores para manter o motorista no centro da experiência.

Apresentado em 2024 para marcar os 120 anos da companhia, o Sagrera entrega 1.115 cv e 118,3 kgfm, suficientes para ir de zero a 100 km/h em 2,6 segundos. São quatro motores de fluxo axial e ímãs permanentes, de 275 cv cada, ligados em série e responsáveis apenas pelo eixo traseiro. A bateria de segunda geração tem 103 kWh, pesa 612 kg e rende até 480 km no ciclo WLTP.

Como funciona a tecnologia invisível
O centro da lógica é o HSDD (Hispano Suiza Driver Dynamics), sistema proprietário que coordena tração, distribuição de torque, estabilidade, frenagem regenerativa e modos de condução. Dentro dele operam três blocos: o Grip Enhancement System, de controle de tração; o Active Yaw Modulation, de estabilidade; e o Electronic Torque Stabiliser, capaz de aplicar torque negativo independente nas rodas traseiras para equilibrar o carro e, de quebra, poupar energia.

Para responder rápido, o software colhe dados de mais de 100 sensores espalhados pelo chassi e pelo trem de força e processa mais de 200 milhões de instruções por segundo. Entram na conta a posição e a velocidade do volante, a pressão no acelerador e nos freios, a rotação das rodas, os movimentos da carroceria, a aceleração nos três eixos, a temperatura e o estado de carga da bateria, além da corrente e da tensão do sistema elétrico. A ideia é antecipar a perda de aderência antes que o motorista perceba, ajustando a resposta dos motores de forma progressiva.

Calibração com um ex-piloto de Fórmula 1
A afinação do conjunto passou por simulações e por testes de pista e de rua, com participação do espanhol Luis Pérez-Sala, que correu pela Minardi no fim dos anos 1980 e hoje atua como piloto de desenvolvimento da marca. A meta declarada era preservar a liberdade de quem dirige: a eletrônica entra em cena apenas quando necessário e sem tornar artificiais as reações do carro.
A transmissão leva a força ao eixo traseiro e usa um diferencial autoblocante virtual. Os pneus são Michelin Pilot Sport 4 S desenvolvidos sob medida para o modelo. Já o nome Sagrera é uma referência ao bairro de Barcelona onde a Hispano Suiza, fundada em 1904, instalou sua primeira grande fábrica, em 1911.
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