Carros atingidos por meteoritos? Já aconteceu pelo menos três vezes
Um Pontiac 1928, um Chevrolet Malibu e um Nissan Pathfinder são os únicos veículos com impacto de meteorito confirmado; nenhum estava ocupado
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 07/08/2026 às 13h00
Ter o carro atingido por um meteorito parece roteiro de cinema, mas já aconteceu — e, em mais de um século de história do automóvel, três casos já foram devidamente documentados. Todos nos Estados Unidos ou no Canadá.
A raridade tem explicação: segundo a NASA, a Terra é bombardeada diariamente por mais de 100 toneladas de poeira e partículas do tamanho de grãos de areia, que se desintegram na atmosfera. A agência usa justamente o carro como régua para o passo seguinte: cerca de uma vez por ano, um asteroide do tamanho de um automóvel entra na atmosfera, produz um clarão e se consome antes de chegar ao solo.
Illinois, 1938: o primeiro registro

Na manhã de 29 de setembro de 1938, em Benld, no interior de Illinois, uma rocha de 1,8 kg furou o telhado de uma garagem de madeira e acertou o cupê Pontiac 1928 de Edward McCain. Atravessou o teto, o banco e o assoalho, ricocheteou no escapamento e voltou a se alojar nas molas do banco.
McCain não estava no carro. Ao encontrar o buraco no estofamento horas depois, desconfiou de ratos — só então chamou o vizinho e descobriu o que era. Uma moradora estava a cerca de 15 metros do impacto, provavelmente a pessoa que mais perto chegou de ser atingida por um meteorito até aquele momento. A análise posterior mostrou uma crosta de fusão de apenas 1 milímetro, indício de que a rocha entrou na atmosfera em velocidade baixa e por isso não se desfez. O meteorito e as peças do carro estão no Field Museum of Natural History, em Chicago.
Quando a pedra vale mais que o carro
Em 9 de outubro de 1992, uma rocha de 12 kg atravessou a traseira do Chevrolet Malibu 1980 de Michelle Knapp, então com 18 anos, em Peekskill, no estado de Nova York. Ela havia comprado o carro da avó por US$ 400 poucas semanas antes. O meteorito perfurou o porta-malas e abriu uma cratera de 15 centímetros no chão sob o veículo.
O prejuízo virou negócio. Knapp vendeu o Malibu, nunca consertado, por US$ 10 mil — hoje ele circula como peça de museu. A rocha saiu por US$ 50 mil.
O caso mais recente é de 25 de setembro de 2009, em Grimsby, na província canadense de Ontário. Um fragmento de 45 gramas atingiu o para-brisa do Nissan Pathfinder de Yvonne Garchinski depois de cruzar o céu a cerca de 75 mil km/h. A rocha tem 4,6 bilhões de anos, praticamente a idade do Sistema Solar. Outros pedaços foram achados na região, sem causar danos.
A concentração dos três episódios na América do Norte diz menos sobre o destino dos meteoritos do que sobre quem registra o que cai. Impactos em carros em outras partes do mundo podem simplesmente nunca ter chegado a um catálogo científico.
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