CEO da Fiat se arrepende de aposentar o Punto e quer o modelo de volta
Hatch vendido no Brasil até 2017 pode voltar na Europa com visual inédito e motores a combustão e híbridos; Fiat ainda não confirmou o projeto
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/11/2026 às 16h00
O Fiat Punto pode voltar do mundo dos mortos, e quem quer ressuscitá-lo é um executivo que passou os últimos seis anos do lado do maior rival do hatch.
Arnaud Belloni, novo CEO da Fiat, da Abarth e da Lancia, foi diretor global de marketing da Renault de 2020 a 2026. Agora, quer um Punto para enfrentar justamente o Renault Clio na Europa.
Em entrevista à revista francesa L’Automobile Magazine, durante o Salão de Paris, Belloni disse que uma marca como a Fiat “precisa obrigatoriamente” ter um Punto.
Para o executivo, a saída de cena do hatch, em 2018, deixou o caminho livre para a Renault consolidar o Clio, ajudada também pelo fim do Ford Fiesta, em 2023.
Nada de visual retrô
Se voltar, o Punto não deve seguir a receita nostálgica dos novos 500e e Grande Panda. Belloni citou como exemplo a sexta geração do Clio, que mudou radicalmente de visual justamente por não ter amarras com o passado.
O executivo lembra que o próprio Punto nasceu assim: lançado em 1993 para substituir o Uno, estreou com um desenho sem nada a ver com o antecessor.
A motorização também muda em relação ao plano anterior. Em 2025, o então CEO da Fiat, Olivier François, chegou a falar em um Punto elétrico com visual esportivo, mas avisou que o projeto não estava em desenvolvimento.
Com Belloni, o hatch pode ganhar motores a combustão e híbridos, em vez de ser só elétrico.
Uma das bases cotadas é a plataforma multienergia CMP/eCMP, usada por compactos da Stellantis como o Peugeot 208. O compartilhamento barateia o projeto, e não seria novidade: o Grande Punto, de 2005, dividia a base com o Opel Corsa.
A mesma base poderia render até uma versão esportiva da Abarth, ocupando o espaço deixado por hatches apimentados como o Ford Fiesta ST.
No Brasil, o Punto foi vendido de 2007 a 2017 e deu lugar ao Argo. Por enquanto, os planos de Belloni miram só o mercado europeu. A Fiat ainda não confirmou o projeto, e a volta, se acontecer, deve levar alguns anos.
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