China caça foguete no ar com rede sobre navio e desafia o domínio da SpaceX
País se torna o segundo do mundo a recuperar um foguete orbital e o primeiro a capturá-lo em uma rede no mar, e não com pernas de pouso
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/07/2026 às 13h00
A China recuperou pela primeira vez o primeiro estágio de um foguete com capacidade orbital, em feito alcançado no voo inaugural do foguete Longa Marcha 10B, em 10 de julho. Com a operação, o país se tornou a segunda nação — e a terceira organização, considerando as empresas privadas — a trazer de volta um propulsor de classe orbital, atrás apenas das norte-americanas SpaceX e Blue Origin. O pouso chinês, inclusive, foi o primeiro a fazê-lo capturando o estágio em uma rede, e não com pernas de pouso.
A conquista representa um avanço estratégico para o programa espacial chinês, já que a reutilização de foguetes reduz custos e permite aumentar a frequência de lançamentos. Embora os Estados Unidos ainda liderem o setor em número de missões orbitais e em projetos de exploração lunar, a China vem estreitando essa diferença nos últimos anos.
O foguete decolou do Centro de Lançamento Espacial Comercial de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul do país. Cerca de seis minutos após a separação entre o primeiro e o segundo estágios, o propulsor iniciou uma descida controlada e guiada, com parte dos motores religados para o retorno, até ser capturado pela embarcação de recuperação Linghangzhe (“navegador”, em tradução livre).
Ganchos instalados na fuselagem prenderam-se a cabos tensionados sobre o convés, enquanto um sistema hidráulico de amortecimento absorveu a energia restante. Segundo a China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC), estatal responsável pelo projeto, foi a primeira recuperação de um foguete de transporte por sistema de rede no mundo.
De acordo com a fabricante, o método dispensa as pernas de pouso usadas por SpaceX e Blue Origin, o que reduz o peso do veículo e amplia a margem de erro durante a captura — vantagens que, segundo engenheiros ligados ao programa, ainda precisam ser comprovadas em escala, já que há apenas uma recuperação bem-sucedida até agora.
Desenvolvido pela China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT), subsidiária da CASC, o Longa Marcha 10B tem 63 metros de altura, 5 metros de diâmetro e massa de cerca de 760 toneladas na decolagem. O primeiro estágio é movido por sete motores YF-100K a querosene e oxigênio líquido, enquanto o segundo estágio queima metano e oxigênio líquido. Em configuração reutilizável, o foguete é capaz de levar até 16 toneladas à órbita baixa da Terra.
A CASC afirmou que pretende reutilizar o mesmo estágio recuperado ainda neste ano — passo decisivo para transformar a demonstração em economia real, já que uma única recuperação não configura, por si só, um programa de reúso consolidado.
A China também mantém planos ambiciosos para ampliar sua presença no espaço, que incluem o desenvolvimento de megaconstelações de satélites e missões tripuladas à Lua. O Longa Marcha 10B é a variante de carga da família Longa Marcha 10, ainda em desenvolvimento, cuja versão completa deverá levar taikonautas à superfície lunar até 2030. Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm como meta um pouso tripulado em 2028, dentro do programa Artemis.
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