BYD admite erro ao entregar 1.265 carros ano 2025 para quem pagou pelo modelo 2026
Após oferecer só 1.100 dólares australianos, a BYD recuou e deixa o cliente escolher entre reembolso total, troca por unidade 2026 ou indenização
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/07/2026 às 14h00
A BYD reconheceu uma falha administrativa que atingiu 1.265 clientes na Austrália: a marca chinesa entregou veículos fabricados em 2025 a compradores que haviam adquirido unidades com ano de fabricação 2026. Após críticas à compensação inicial, a fabricante passou a oferecer o reembolso integral do valor pago aos consumidores afetados.
Segundo a empresa, a confusão teve origem em um erro de registro interno: a data em que os carros deixaram a fábrica foi usada no lugar da data real de produção. A informação incorreta, ainda de acordo com a BYD, teria se espalhado pelos sistemas de atendimento e pela documentação de venda, embora os registros oficiais do governo australiano trouxessem os dados corretos de fabricação.
A discrepância afetou modelos como o SUV elétrico Atto 3, o Sealion e a picape Shark. A fabricante afirma que não há diferença mecânica, de garantia ou de desempenho entre as unidades, que seguem em conformidade com a regulação australiana. Ainda assim, a preocupação dos proprietários recai sobre a desvalorização precoce do bem: no mercado de usados, um ano a menos no documento tende a reduzir as ofertas na hora da revenda.
A primeira resposta da montadora foi criticada por prever apenas 1.100 dólares australianos (cerca de R$ 3.920, na cotação atual, a reconfirmar na publicação) de indenização, valor considerado baixo diante da dimensão do problema. Pressionada, a BYD ampliou a proposta. Os clientes agora podem optar pelo reembolso integral, trocar o carro por uma unidade efetivamente fabricada em 2026 — mantendo as condições promocionais da compra original — ou permanecer com o veículo recebido e aceitar a indenização inicial.

Paul Ellis, diretor de relações públicas da BYD na Austrália, afirmou à emissora ABC que se tratou de um erro administrativo, sem intenção de enganar os consumidores. O executivo também negou que a revisão da proposta tenha sido motivada pela repercussão na imprensa, dizendo que as discussões já estavam em curso. Segundo Ellis, a maior parte dos proprietários afetados teria se mostrado satisfeita em manter o carro e receber o pagamento.
O episódio atinge a imagem de uma marca em rápida ascensão no país. A BYD ficou em segundo lugar em vendas na Austrália, atrás apenas da Toyota, em abril, maio e junho de 2026, superando concorrentes tradicionais como Ford, Kia, Mazda e Hyundai. A empresa diz ter revisado seus processos internos para evitar reincidências.
Problemas no Brasil
No Brasil, a BYD também acumula queixas relacionadas à entrega de veículos. Reportagem da Autoesporte mostrou que clientes, sobretudo do público PcD (Pessoas com Deficiência), relatam meses de espera por carros já pagos — em alguns casos, quitados à vista. Em Cuiabá, a motorista Karyne de Freitas teria aguardado 130 dias pelo Song Pro GL e só recebeu o veículo após obter uma liminar na Justiça. Em Brasília, o servidor Gustavo Kaufmann afirma ter pago cerca de R$ 160 mil à vista por um King GS cuja entrega foi adiada sucessivamente.
De acordo com os processos, parte dos atrasos estaria ligada à demora da fábrica em reconhecer os pagamentos e vincular o chassi, etapa que trava o faturamento nas concessionárias. A BYD afirma tratar os casos individualmente, nega falhas sistêmicas e sustenta que não havia prazo contratual específico de entrega. As concessionárias, por sua vez, atribuem os travamentos à montadora.
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