China estuda tanque nuclear com canhão capaz de atingir alvos a 450 km

Estudo revisado por pares prevê reator de 10 MW e canhão eletromagnético de 50 MJ, com entrada em serviço apenas depois de 2045

Tanque Type 99 China 2017
Tanque chinês pode ganhar reator nuclear e canhão eletromagnético na sua estrutura (Foto: Wikimidia | Reprodução)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 18/09/2026 às 08h00

Pesquisadores militares chineses apresentaram o conceito de um carro de combate de cerca de 60 toneladas movido por um reator nuclear compacto e armado com um canhão eletromagnético capaz de atingir, em tese, alvos a até 450 km.

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O estudo, revisado por pares, foi publicado em junho na revista científica chinesa Acta Armamentarii e prevê a entrada em serviço da versão nuclear apenas depois de 2045.

O trabalho é assinado pelo Inner Mongolia First Machinery Group, fabricante histórico de blindados chineses, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Pequim. O peso o coloca na categoria do americano Abrams e do alemão Leopard 2, bem acima das cerca de 42 t do Leopard 1A5 BR, principal carro de combate do Exército Brasileiro.

O reator, porém, não está ali para dar autonomia. O objetivo é alimentar o canhão eletromagnético, ou railgun, que acelera projéteis metálicos entre dois trilhos condutores por campos magnéticos, sem propelente explosivo.

Do diesel ao átomo, em três etapas

São três gerações do blindado. A primeira, prevista para até 2035, manteria um gerador a diesel de cerca de 1.500 cv combinado a supercapacitores e volantes de inércia para alimentar um canhão de 10 megajoules (MJ), com alcance estimado em 150 km. O conjunto incluiria ainda uma blindagem eletromagnética de 2 MJ, capaz de neutralizar mísseis anticarro antes que perfurem o casco.

Na segunda fase, entre 2035 e 2045, a energia do canhão subiria para 20 MJ, com alcance próximo de 300 km, e a blindagem ativa chegaria a 10 MJ. Entrariam em cena baterias de estado sólido, supercondutores e uma microrrede inteligente de gestão de energia a bordo.

Somente na terceira etapa, depois de 2045, o diesel daria lugar a um pequeno reator modular (SMR) de 10 MW, refrigerado a chumbo-bismuto, alimentando um canhão de 50 MJ. Os projéteis sairiam a cerca de 3,5 km/s, ou 12.600 km/h, para alcançar os 450 km projetados.

O gargalo é elétrico, não nuclear

A maior dificuldade, reconhecida pelos próprios autores, não está no átomo. Um canhão de 50 MJ exige liberar uma quantidade enorme de eletricidade em frações de segundo, algo que um reator, projetado para entregar potência constante, não faz sozinho. A carga precisaria ser acumulada entre disparos em capacitores e baterias, o que faz da eletrônica de potência o verdadeiro obstáculo do projeto.

As exigências físicas são igualmente duras: o reator teria de caber em 2 m³, com blindagem radiológica de no máximo 3 t e recarga de combustível a cada cinco anos. Somam-se a dissipação de calor e impactos de até 30 g fora de estrada.

Um especialista ouvido pelo jornal South China Morning Post classificou como pouco realista instalar um reator de fissão em um blindado tripulado, pela blindagem e pela refrigeração exigidas e pelo risco de perder o reator em combate. Para ele, o conceito faria mais sentido em uma plataforma não tripulada.

Por ora, é um estudo conceitual, não um programa em andamento. O alcance de 450 km segue como estimativa de projeto, sem demonstração prática.

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