Com só 11% do crédito liberado, governo eleva teto do Move Brasil para R$ 200 mil

Programa liberou apenas 11,3% dos R$ 30 bilhões previstos, e governo aponta a resistência dos bancos privados como gargalo

shutterstock move brasil taxi e motoristas de aplicativo
Programa voltado a taxistas e motoristas de aplicativo também passa a incluir novos tipos de veículos híbridos entre os elegíveis (Foto: Banco de Imagem | Shutterstock)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 21/08/2026 às 08h00

O governo federal ampliou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos veículos que podem ser financiados pelo Move Brasil, programa de crédito subsidiado voltado a taxistas e motoristas de aplicativo. A mudança foi publicada nesta quarta-feira (19) em edição extra do Diário Oficial da União e também incluiu novos tipos de híbridos entre os modelos elegíveis.

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A alteração ocorre depois de o programa avançar bem abaixo do previsto. Dos R$ 30 bilhões reservados, o BNDES havia liberado R$ 3,44 bilhões até esta semana, ou 11,3% do total, segundo dados obtidos pela Folha de S.Paulo. O dinheiro chegou a 33,4 mil motoristas, sendo cerca de 27 mil de aplicativo e 6 mil taxistas. Apenas 5% são mulheres, público com direito a juros menores.

O contraste com a procura inicial é grande: mais de 600 mil profissionais haviam se cadastrado na plataforma até o início de junho. Pouco mais de 5% desse contingente fechou contrato.

Bancos privados seguram a liberação

O governo atribui parte do gargalo à cautela dos bancos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Banco do Brasil e Caixa sustentam as operações, enquanto há “menos apetite por parte dos bancos privados”, mais rígidos na análise de risco dos motoristas.

O programa tem garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que cobre até 80% de cada financiamento, limitado a 30% da carteira do banco na linha. O fundo só entrou em operação duas semanas após o lançamento, em 19 de junho. O secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira Lima, reconheceu ainda falhas de comunicação com a categoria: segundo ele, “faltou a gente dialogar melhor com o trabalhador” sobre a diferença entre passar no cadastro e ter o crédito aprovado.

Com o novo teto, o governo estima que o programa passe a alcançar 88% do mercado brasileiro de veículos, ante 63% pela regra anterior, com base nos emplacamentos de 2025 da Fenabrave. O valor de referência é o da nota fiscal.

Quem pode pedir e quais são as condições

Podem participar taxistas com licença e registro ativos e situação fiscal regular, incluindo cooperados, e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos 100 corridas no período na mesma plataforma. Não é possível somar corridas de aplicativos diferentes.

As taxas foram fixadas pelo Conselho Monetário Nacional em até 0,99% ao mês para homens e 0,91% para mulheres, cerca de 12,6% e 11,5% ao ano. O prazo chega a 72 meses, com carência de até seis meses. O programa não fixa entrada mínima, que fica a critério do banco, e ter o nome limpo não é exigência formal, embora restrições de crédito possam levar à recusa.

O cadastro é feito pelo portal gov.br, com resposta em até cinco dias úteis. Aprovado nessa etapa, o motorista procura a concessionária ou o banco onde já tem conta. As contratações vão até 15 de setembro, prazo da medida provisória que sustenta o programa, e podem se encerrar antes se os recursos acabarem.

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1 Comentário
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Polvo 21 de agosto de 2026

O problema aí não é nem o valor do carro, pois 150 mil ainda é possível comprar um bom carro para trabalhar como motorista de app. Me parece que só atingiram 11%, pois os bancos não estão liberando empréstimo facilmente, devido ao risco de inadimplência