Após emplacar 1,4 milhão de carros em cinco meses — 20% menos que em 2025 —, BYD prepara mudança para acabar com a canibalização entre suas linhas
A BYD se prepara para dividir seu instituto central de engenharia automotiva em cinco unidades independentes — uma para cada marca do grupo — em resposta à queda de cerca de 20% nas vendas nos primeiros cinco meses de 2026. As informações vêm de vazamentos à imprensa chinesa, publicados pelo portal Sina e divulgados pelo site CarNewsChina; a empresa ainda não confirmou oficialmente a reestruturação.
Pela proposta, o Instituto de Pesquisa em Engenharia Automotiva, hoje centralizado, daria lugar a cinco centros autônomos, ligados às marcas Dynasty, Ocean, Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang. Cada divisão teria autonomia sobre a definição de produtos e o planejamento dos veículos, com a equipe da antiga estrutura central transferida para os times de cada marca.
O núcleo central seria mantido apenas como repositório de tecnologias de base, concentrado em inovações como as baterias de lâmina, as plataformas dedicadas a elétricos e a arquitetura eletrônica. O ajuste de chassis e as aplicações específicas de cada modelo passariam às equipes das marcas.
O objetivo é acabar com a sobreposição de produtos e aproximar a engenharia das demandas de cada segmento. Até aqui, a definição dos carros era centralizada, o que muitas vezes provocava canibalização entre as linhas Dynasty e Ocean, que disputavam faixas de preço parecidas — em um portfólio que vai de modelos de entrada, na casa dos 100 mil yuans (US$ 14,8 mil), a esportivos de até 1 milhão de yuans (US$ 147,7 mil).
A reestruturação viria acompanhada de uma política financeira mais dura. Dynasty, Ocean, Denza e Fang Cheng Bao teriam de se autofinanciar e pagariam preços de mercado para usar recursos corporativos compartilhados; a marca de ultraluxo Yangwang ficaria temporariamente isenta dessas metas. A medida promete ganhos de eficiência, mas pode aumentar a complexidade interna e acirrar a disputa por recursos entre as divisões.
A guinada responde a um momento difícil. Nos cinco primeiros meses de 2026, a BYD emplacou cerca de 1,4 milhão de veículos, queda de 20% na comparação anual, em meio a uma desaceleração da demanda chinesa — pressionada pela concorrência local e por mudanças nos subsídios — que já se arrasta por vários meses. Parte do recuo no mercado interno tem sido amortecida pela expansão no exterior, que vem batendo recordes mensais. Ao mesmo tempo, o grupo reforça o apelo premium, com lançamentos como o crossover Dynasty Great Tang e o sedã Ocean Seal 08. A resposta de fundo, porém, passa por trocar o crescimento puramente em volume por eficiência e rentabilidade, em um modelo descentralizado semelhante ao adotado pela rival Geely para estabilizar margens.
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