Montadora alemã ajusta produção, amplia planos para novos modelos e reforça foco em veículos a combustão e híbridos
A Porsche decidiu mudar de rota: em vez de perseguir volume, quer vender menos carros e ganhar mais com cada um deles. A estratégia, revelada pelo presidente-executivo Michael Leiters, prevê o corte da capacidade de produção para ajustá-la a uma demanda em queda — e marca o fim do ciclo de expansão que levou a marca ao recorde de 320.221 veículos entregues em 2023.
O quadro mudou rápido. A retração na China, pressionada pela concorrência local, e a saída dos modelos 718 e Macan do mercado europeu — onde não atenderam às novas exigências de cibersegurança — derrubaram as vendas. Em 2025, as entregas recuaram para 279.449 unidades, patamar próximo ao de 2020. O início de 2026 não trouxe alívio: no primeiro trimestre, a marca vendeu 60.991 carros, queda de 15%.
Diante disso, Leiters defende que a rentabilidade não depende de crescer em volume: para ele, a Porsche precisa ganhar dinheiro mesmo vendendo menos carros, sustentando margens altas nos produtos atuais e futuros, ainda que isso custe parte das vendas. A declaração foi dada ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ).

Mesmo com a produção menor, o portfólio deve crescer. Entre os planos está o retorno dos esportivos Boxster e Cayman, que devem chegar em versões a combustão e totalmente elétricas. A marca também estuda um modelo de alto desempenho acima do 911, cuja viabilidade dependerá da resposta dos clientes. O reforço nos motores a combustão e híbridos reverte a aposta anterior da Porsche em uma transição acelerada para os elétricos.
Já o anunciado SUV de três fileiras posicionado acima do Cayenne tem futuro incerto: concebido inicialmente como elétrico e depois repensado para receber motor a combustão, o projeto pode nem sair do papel, segundo o FAZ. Mais certo é o novo crossover compacto que substituirá o Macan de primeira geração — que sai de linha ainda neste ano —, com opções a gasolina e híbrida. Tecnicamente aparentado ao Audi Q5, ele tende a se tornar um dos maiores volumes da marca.
A aproximação com a Audi é parte de um esforço maior para conter custos que, segundo Leiters, saíram do controle nos últimos anos. O executivo não confirmou rumores de novos cortes de 2.000 a 4.000 funcionários, mas afirmou que um novo programa de redução de despesas deve ser fechado antes da pausa de verão na Alemanha, em julho. Tudo isso sem abandonar os motores a combustão, que voltaram a ganhar espaço nos planos da fabricante.
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