Como funciona o novo bafômetro que lê as impressões digitais do motorista?

Sistema usa luz infravermelha e inteligência artificial para ler o álcool sob a pele, bastando ao motorista colocar o dedo no painel

AUMOVIO e trinamiX integram a medição de álcool no sangue ao cockpit do veículo Foto Aumovio Divulgação
Quando o dedo encosta na superfície, pulsos de luz invisível atravessam a pele e buscam moléculas de etanol nos tecidos (Foto: Aumovio | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 21/07/2026 às 10h00

A Aumovio (empresa que nasceu da divisão automotiva da Continental) e a trinamiX (subsidiária da BASF) apresentaram um sistema que mede o nível de álcool no sangue do motorista a partir do toque de um dedo em um sensor instalado no interior do carro. Segundo as empresas, a leitura leva poucos segundos e dispensa que o condutor sopre em qualquer bocal. Por ora, a tecnologia está disponível apenas na Europa.

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O sensor usa espectroscopia no infravermelho próximo (NIR): quando o dedo encosta na superfície, pulsos de luz invisível atravessam a pele e buscam moléculas de etanol nos tecidos. A reflexão dessa luz é interpretada por algoritmos de inteligência artificial para estimar a alcoolemia.

“A experiência é intuitiva e tão simples quanto utilizar a leitura de impressão digital em um smartphone. O sistema de sensores pode ser discretamente integrado a elementos já existentes do cockpit, preservando um design interno limpo e não intrusivo”, garante Ricardo Rodrigues, chefe da Aumovio no Brasil.

De acordo com a trinamiX, o método foi testado em um estudo clínico registrado no DRKS, o registro alemão de estudos clínicos. As fabricantes afirmam que o hardware pode ser embutido em elementos que já existem na cabine, sem alterar o desenho interno.

Tendência crescente na indústria

A ideia de embarcar a detecção de álcool no próprio veículo não é nova. Nos Estados Unidos, o programa DADSS (Driver Alcohol Detection System for Safety), tocado desde 2008 pela agência de trânsito NHTSA em parceria com montadoras, desenvolve duas frentes: um sensor de respiração, que avalia o ar da cabine sem exigir esforço do motorista, e um sensor de toque, semelhante ao da Aumovio.

A lei federal de infraestrutura aprovada em 2021 determinou que a NHTSA passe a exigir esse tipo de dispositivo nos carros novos, mas a regra ainda não saiu — em março de 2026, a agência informou ao Congresso que segue avaliando os requisitos técnicos. A Volvo chegou a projetar um sistema parecido para o SUV elétrico EX90, em 2022, mas a função ficou de fora da versão final.

No Brasil, a fiscalização ainda se apoia na Lei Seca, que fixou tolerância zero para álcool ao volante, e no Código de Trânsito, que trata a embriaguez como infração gravíssima. Há, porém, projetos que miram o equipamento embarcado.

O PL 2176/07, por exemplo, obriga as montadoras a instalar em carros novos um bafômetro passivo que trava a ignição ao detectar álcool no ar da cabine. O PL 4394/12 prevê bloqueio de partida em veículos de frota, como transporte escolar, táxis e ônibus. Já o PL 1437/20 propõe estender a exigência a todos os automóveis vendidos no país. Nenhum foi aprovado até agora.

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