Criador de hipercarros elétricos diz que o futuro dos superesportivos é a gasolina
Executivo afirma que desempenho deixou de ser diferencial e cita elétrico chinês de R$ 260 mil mais rápido que esportivos de 2016
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 31/08/2026 às 13h00
O homem que provou que um carro elétrico podia humilhar supercarros a gasolina agora diz que o motor a combustão vai sobreviver no topo do mercado por muito tempo. Em entrevista à rede americana CNBC, publicada em 25 de agosto, Mate Rimac afirmou que a indústria está se partindo em duas: carros de uso diário caminham para a eletrificação, enquanto esportivos e hipercarros seguirão queimando combustível.
O argumento não é nostálgico, é comercial. Segundo o executivo, desempenho puro deixou de ser diferencial. Ele cita um exemplo incômodo para quem cobra milhões: hoje é possível comprar na China, por cerca de R$ 260 mil (US$ 50 mil), um carro mais rápido que qualquer esportivo de dez anos atrás.
A comparação que Rimac usa vem da relojoaria. Apenas cerca de 5% dos relógios do mundo são fabricados na Suíça, mas é lá que fica a maior parte do lucro do setor. Um smartwatch faz muito mais coisas que um relógio mecânico, disse ele, e ainda assim ninguém paga o equivalente a R$ 1 milhão (US$ 200 mil) por um.
Ele brigou com os acionistas para não fazer um Bugatti elétrico
Quando o Rimac Group assumiu o controle da Bugatti em 2021, em sociedade com a Porsche, o executivo diz ter recebido de Volkswagen e Porsche a missão de lançar um Bugatti elétrico. Ele já tinha um hipercarro elétrico pronto e admite que transformá-lo em Bugatti seria o caminho mais fácil. Optou pelo mais difícil e enfrentou os próprios acionistas.
O resultado foi o Tourbillon, sucessor do Chiron. Em vez de bateria, um motor V16 8.3 aspirado e 1.000 cv, desenvolvido em parceria com a britânica Cosworth, somado a três motores elétricos que rendem outros 800 cv. O conjunto entrega 1.800 cv e 305,9 kgfm, acelera de 0 a 96 km/h em 1,9 segundo e chega a 380 km/h, ou 445 km/h com a chave Speed Key.

Um painel feito por relojoeiros
A escolha estética segue a mesma lógica. Enquanto o mercado empilha telas, o Tourbillon tem quadro de instrumentos analógico construído em titânio, safira e rubis por relojoeiros suíços, montado atrás do volante. Não é coincidência: tourbillon é o nome de um mecanismo de relógio de alta precisão. O carro é montado em Molsheim, na França, e o V16 vem da fábrica do grupo na Croácia, a mesma linha onde nasce o Nevera, hipercarro elétrico com mais de 20 recordes de desempenho.
As 250 unidades previstas do Tourbillon estão vendidas, a partir de aproximadamente R$ 22,9 milhões (3,8 milhões de euros). E o preço de tabela é só o começo: segundo Rimac, o comprador médio gasta de R$ 3,1 milhões a R$ 3,6 milhões (US$ 600 mil a US$ 700 mil) em personalização, entre pinturas exclusivas, couros e costuras sob medida. Para ele, o cliente desse segmento não está comprando tempo de volta, e sim um objeto que conte uma história e leve a própria assinatura.
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