De 50 lojas em um dia à 2ª recuperação judicial: o que aconteceu com a Jac no Brasil
Grupo SHC, de Sergio Habib, incluiu 44 empresas em recuperação judicial; Jac vendeu 988 carros em 2025 e hoje tem três lojas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 08/10/2026 às 10h00
O Grupo SHC, do empresário Sergio Habib, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (6). Habib comanda a Jac Motors no Brasil desde a chegada da marca chinesa ao país, em 2011.
Segundo a revista Exame, que antecipou a informação, o grupo declarou R$ 239,5 milhões em dívidas e incluiu 44 empresas no pedido.
Na recuperação judicial, a empresa continua funcionando enquanto negocia com os credores um plano para pagar as dívidas.
É a segunda vez que o grupo de Habib recorre a esse instrumento.
A primeira recuperação começou em novembro de 2018, com R$ 517,7 milhões em dívidas, e foi encerrada em maio de 2025, cerca de um ano e cinco meses antes do novo pedido.
De acordo com a Exame, a empresa negociava uma nova reestruturação e tentava manter parte das dívidas fora do processo.
Um grande banco teria mais de R$ 100 milhões a receber, segundo fontes ouvidas pela revista.
Bancos e fundos também relatam dificuldade para localizar e retomar carros dados como garantia de empréstimos.
Procurado pela Exame, o Grupo SHC não respondeu.
Vendas em queda
O pedido ocorre em meio ao encolhimento da Jac.
Em 2025, a marca emplacou 988 automóveis e comerciais leves, queda de 51,1% em relação aos 2.022 de 2024, segundo a Fenabrave. No mesmo período, o mercado cresceu 2,58%.
A retração continuou em 2026: de janeiro a julho, foram 346 emplacamentos, 43,8% a menos que no mesmo período de 2025. A rede hoje se resume a três concessionárias.
A aposta de Habib
Habib trouxe a Jac ao Brasil com uma estratégia agressiva: em 2011, inaugurou 50 concessionárias num único dia.
O plano incluía uma fábrica na Bahia, estimada em R$ 1 bilhão, que nunca saiu do papel.
Anos depois, o empresário apostou na importação de carros elétricos, também sem sucesso.
Além da Jac, o grupo de Habib manteve por 28 anos uma parceria com a Citroën, cuja rede de concessionárias era um de seus principais negócios.
Na primeira recuperação, o SHC atribuiu a crise ao fim dessa parceria, à retração do mercado e às restrições do programa Inovar-Auto às importações.
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