Benefício havia expirado em janeiro e foi recriado a pedido do governo da Bahia, onde a BYD monta carros em Camaçari; Anfavea e Sindipeças são contra
O governo federal reabriu a isenção de imposto para a importação de “kits” de carros elétricos e híbridos, e a decisão já provocou reação. A Anfavea, associação que reúne as montadoras instaladas no Brasil, criticou a medida nesta terça-feira (23). Aprovada pelo Gecex, o braço executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a regra recria por seis meses, a partir de 1º de julho, um benefício que havia acabado em janeiro deste ano.
Em vez de chegar pronto da fábrica, o carro pode entrar no país desmontado, em peças, para ser montado aqui. Há dois formatos. No SKD (do inglês “semidesmontado”), o veículo vem quase completo e só recebe os ajustes finais. No CKD (“totalmente desmontado”), chega em partes e exige uma montagem mais complexa, mais próxima de uma fabricação de verdade. Quanto mais etapas acontecem no Brasil, maior tende a ser o uso de mão de obra e de autopeças nacionais.
Desde 2023, o governo vem recolocando aos poucos o Imposto de Importação sobre carros eletrificados, que antes entravam sem tarifa. A ideia é elevar a alíquota de forma gradual até o teto de 35%, o limite permitido pelo Mercosul. Os modelos que chegam prontos já voltaram a ser taxados e atingem os 35% em julho.
Os kits ganharam um caminho à parte. Em julho de 2025, o governo criou uma “cota”: um volume de importação — US$ 463 milhões — que poderia entrar com imposto zero, válido entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. Foi exatamente esse benefício que acaba de ser renovado, com o mesmo valor e novo prazo de seis meses. Acima desse limite, a tarifa volta a valer: hoje, 35% para o SKD e 14% para o CKD.
Para a entidade, a cota deveria ser uma ajuda temporária, mas virou atalho para encher o mercado de importados sem que a indústria local cresça de fato. Um estudo da Anfavea estima que apostar na montagem de kits em larga escala poderia custar R$ 96,8 bilhões em vendas ao setor de autopeças, reduzir R$ 24,3 bilhões na arrecadação federal e eliminar 68 mil empregos diretos — 191 mil em toda a cadeia. A associação ainda aponta que os estoques de carros chegaram a 150 dias em maio, inflados pelos importados. Sindipeças e centrais sindicais como CUT, Força Sindical e CTB engrossaram o coro contra a renovação.
Como argumento de peso, as montadoras tradicionais lembram os R$ 140 bilhões que prometeram investir no Brasil até 2033. Elas também destacam que os eletrificados feitos no país saltaram de 26% das vendas do segmento em 2025 para 40% em 2026.
A chinesa é a principal beneficiada e defende a medida. Para a marca, manter o imposto baixo ajuda a segurar o preço dos elétricos e a acelerar a adoção dos carros a bateria no país. A BYD investe R$ 5,5 bilhões na fábrica de Camaçari (BA), na antiga unidade da Ford, apontada como sua maior planta fora da Ásia, com capacidade inicial de 150 mil veículos por ano. Segundo apurações, a volta da cota partiu da Casa Civil, atendendo a um pedido do governo baiano — e nenhuma montadora teria feito o pleito formal.
No curto prazo, a cota tende a ajudar a segurar os preços dos elétricos montados com kits, porque reduz o imposto pago pelas marcas. O contraponto, defendido pela indústria nacional, é que esse alívio adia a produção realmente local e a criação de empregos mais qualificados. A disputa não está encerrada: com a cota em vigor a partir de julho, o tema deve voltar às próximas reuniões da Camex.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
A Anfavea deveria reclamar e com a República da Bahia. Alguém pode explicar por que o governo estadual foi pedir benefícios para uma empresa privada junto ao governo federal?