Na Argentina, o foco inicial é a infraestrutura de recarga; no Uruguai, faltam anúncio oficial e homologação; no Brasil, nada confirmado
A Tesla começou a colocar os pés na América do Sul, mas a venda de carros está mais longe do que muitos imaginam. Na Argentina, a chegada já é oficial — só que voltada para energia, e não para a venda de carros. No Uruguai, os indícios de uma operação própria se multiplicam, embora ainda não haja anúncio formal nem modelos homologados. E, para o Brasil, por ora, não existe plano confirmado.
O movimento ganhou corpo em 16 de junho, quando a estatal argentina YPF assinou uma carta de intenções com a Tesla para explorar redes de recarga rápida e armazenamento de energia. O acordo nasceu de uma visita do presidente da petroleira, Horacio Marín, à Gigafactory da montadora no Texas. Na prática, a Tesla instalará carregadores em postos da YPF — começando por 17 estações ainda no segundo semestre — e estuda erguer um data center na Patagônia, em Neuquén, com a YPF Luz. Uma comitiva da Tesla deve chegar ao país em julho para avançar nas conversas.
A empresa também já nomeou um country manager para Argentina e Uruguai: Joaquín Lizarralde, ex-diretor comercial da Kavak. Mas a importação dos modelos elétricos não está na mesa em terras argentinas por enquanto — o foco declarado é a infraestrutura energética. Para analistas, a aposta se apoia na capilaridade dos postos da YPF num país onde a rede de recarga ainda é escassa.
O que motivou a guinada? Geopolítica e China. Musk quer presença concreta no “sul do sul” antes que as marcas chinesas dominem a região, e encontrou terreno fértil na desregulamentação do governo de Javier Milei, com quem se reuniu diversas vezes. Soma-se a isso um acordo comercial entre Argentina e Estados Unidos fechado em fevereiro, que pode baratear importações em até 40%, e o gás de Vaca Muerta, atrativo para alimentar data centers.
No Uruguai, o roteiro é outro. A Tesla abriu vaga para gerente-geral em Montevidéu, ampliou registros de marca em janeiro e, segundo fontes do setor local, planeja inaugurar sua primeira loja no país — que concentra o maior número de unidades da marca no Mercosul, todas trazidas por importação não oficial. Ainda assim, não houve comunicado e os produtos não foram homologados.
Quais modelos? Como no resto do mundo, a dupla que sustenta a Tesla é o Model 3 (sedã) e o Model Y (SUV) — justamente os que já circulam nos dois países por vias independentes. A Cybertruck só chega pelas mãos de importadores particulares.
Quanto aos preços, não há tabela oficial, porque a marca ainda não vende diretamente. No mercado paralelo, o Uruguai tem a oferta mais barata: o importador Auto Import, que trabalha com um parceiro chinês da Tesla, vende Model 3 e Model Y a partir de cerca de US$ 64,9 mil. Na Argentina, importar por conta própria encarece tudo — o Model 3 sai de US$ 75 mil a US$ 110 mil e o Model Y, de US$ 85 mil a US$ 110 mil, conforme a configuração.
A entrada no Cone Sul segue uma trilha já aberta: a Tesla se instalou oficialmente no Chile em 2024 e na Colômbia em 2025. O Brasil, maior mercado da região, ficou fora dessa rodada e não está nem na alçada do novo country manager. Por aqui, os carros seguem chegando por importadoras independentes, sem rede oficial de pós-venda — um Model 3 ultrapassa os R$ 650 mil depois de impostos e frete, e estima-se haver apenas cerca de 100 Teslas rodando no país.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|