Depois do Brasil, ladrões da Inglaterra estão roubando emblemas da Volkswagen para revender componente escondido
Onda de furtos em Londres repete roteiro visto no Brasil em 2023; entenda por que o logotipo da VW vale até R$ 12 mil no conserto
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 11/08/2026 às 20h00
O Brasil parece ter servido de laboratório involuntário para uma modalidade de furto que agora se espalha pelo exterior: depois da onda registrada aqui no fim de 2023, quando bandidos descobriram que o logotipo dianteiro da Volkswagen de Nivus e T-Cross escondia um radar de milhares de reais, criminosos do Reino Unido chegaram à mesma conclusão: arrancar a peça em cinco segundos pode ser um negócio lucrativo.
A Polícia Metropolitana da capital inglesa agora investiga cerca de 70 casos registrados entre 15 e 19 de julho em 29 ruas do sudeste de Londres. Assim como no Brasil, em muitos modelos da marca no Reino Unido, o emblema não é adorno: funciona como janela para o radar frontal que alimenta o controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e a frenagem automática de emergência (AEB). Como as ondas do sensor não atravessam grades metálicas, o módulo ficou atrás do logotipo.
Imagens de câmeras de segurança que circulam pela imprensa local mostram dois homens em bicicletas de aluguel removendo a peça em menos de cinco segundos. Uma das vítimas, dono de um Tiguan, disse ao The Times que o prejuízo chega perto de 2 mil libras. Moradores suspeitam do uso de drones para mapear alvos, hipótese não confirmada pela polícia.
O precedente brasileiro
No Brasil, a principal vítima foi o Nivus, que trazia ACC de série desde o lançamento, em 2020. T-Cross, Taos e Virtus também foram alvos. As reclamações do fim de 2023 apontavam prejuízo próximo de R$ 12 mil: cerca de R$ 1.600 pelo emblema, R$ 9.000 pelo radar, R$ 700 de mão de obra elétrica e R$ 250 pela recalibração. No mercado paralelo, a peça saía por valores entre R$ 300 e R$ 600.
A primeira reação da Volkswagen foi classificar o caso como questão de segurança pública, e não como vício de produto. A montadora também desaconselhou a colagem do emblema, solução caseira que viralizou nas redes, sob o argumento de que o reforço poderia prejudicar o ACC. O tom mudou no início de 2024: segundo a Associação Brasileira dos Distribuidores Volkswagen (Assobrav), o módulo passou a custar R$ 1.181 e o emblema, R$ 197, quedas de 92% e 90%, que desinibiram a revenda paralela.
Parafusos, travas e o exemplo da Audi
A resposta de projeto veio na linha 2025 do T-Cross: o radar passou a ser parafusado, em vez de apenas encaixado, as travas do emblema foram reforçadas para quebrar a peça em caso de remoção forçada e o acesso ao conjunto ficou restrito à parte interna do carro. O Nivus reestilizado recebeu um dispositivo antifurto, cujos detalhes a marca preferiu não revelar. A Audi havia adotado outra via: passou a dar de graça a grade inferior dianteira de A3, A4 e Q3 aos clientes furtados, esvaziando o comércio clandestino.
A montadora afirma que os modelos mais recentes posicionam o radar longe do emblema. Para quem tem as gerações anteriores de Golf, Tiguan, Jetta, Passat, T-Roc, ID.4 e ID.5, a rotina em Londres passou a incluir uma checagem: olhar a grade antes de dar a partida.
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