Depois do trabalho escravo, fábrica da BYD na Bahia é palco de acusações de assédio sexual e outras denúncias

Após episódios de tensão envolvendo a presença policial, trabalhadores da montadora na Bahia buscam reajuste salarial e medidas urgentes contra abusos

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A fábrica da BYD em Camaçari vive novos conflitos trabalhistas, meses após o desfecho do processo que apurou condições análogas à escravidão nas obras da unidade. ((Foto: Shutterstock))
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/07/2026 às 21h00

Menos de dois anos depois de ser flagrada em um dos maiores escândalos trabalhistas da indústria automotiva no Brasil, a fábrica da BYD em Camaçari (BA) enfrenta uma nova frente de tensão com seus funcionários. O estopim, desta vez, é a campanha salarial de 2026, cuja pauta foi entregue à montadora nesta segunda-feira (13) pelo Sindicato dos Metalúrgicos — mas o que elevou o tom da disputa foram as denúncias de assédio relatadas pela entidade e o desgaste em torno da presença policial em uma assembleia na semana passada.

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No campo das reivindicações, o sindicato pede reajuste de 15%, elevação do vale-alimentação para R$ 850 e corte nos custos do plano de saúde. A entidade também quer mais espaço para atuar dentro da planta, com acesso aos refeitórios e aos diferentes turnos. As primeiras rodadas de negociação, segundo o presidente do sindicato, Júlio Bonfim, ficaram marcadas para a próxima semana. A movimentação vem na esteira de um acordo recente de Participação nos Lucros e Resultados que pode chegar a R$ 10 mil por trabalhador, dividido em duas parcelas — a primeira em julho, a segunda em janeiro de 2027, atrelada a metas de desempenho.

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Fábrica da BYD na Bahia (Foto: BYD | Divulgação)

Denúncias de assédio

O ponto mais delicado da pauta, porém, não é financeiro. Ao Times Brasil, Bonfim afirma que o sindicato reuniu denúncias formais de assédio moral e sexual atribuídas a chefias chinesas e brasileiras contra mulheres que trabalham na unidade. O dirigente, no entanto, não detalhou quantos episódios teriam sido relatados, em que período teriam acontecido nem se o material já chegou às autoridades. A entidade diz que levará o assunto à mesa de negociação e que pretende recorrer ao Ministério Público, além de estudar medidas judiciais, caso as práticas não cessem.

A escalada tem origem em uma assembleia realizada na quinta-feira (9), convocada para aprovar a pauta da data-base. Pela versão do sindicato, a reunião corria sem incidentes até três viaturas da Polícia Militar chegarem ao local. A entidade sustenta que cerca de 14 agentes armados com fuzis permaneceram diante da fábrica e que o aparato constrangeu os trabalhadores a encerrar o ato e retomar o expediente. Os sindicalistas afirmam ainda que representantes da BYD transitaram entre os presentes e que os portões foram mantidos abertos para esvaziar a mobilização, atribuindo à própria empresa o chamado à corporação. Para tratar do episódio, o sindicato agendou uma conversa com o Comando da PM.

Procuradas no domingo (12) sobre as acusações e os rumos do impasse, tanto a BYD quanto a Polícia Militar da Bahia não responderam até o fechamento da reportagem original, publicada pelo Times Brasil. Em entrevista àquele veículo, Bonfim ponderou que a montadora cumpriu o compromisso de gerar empregos e que a maioria dos contratados é de baianos, mas apontou o relacionamento entre parte da gestão e os funcionários locais como o principal nó da relação.

Fábrica foi palco de resgate de trabalhadores em 2024

A tensão atual reabre um capítulo que ainda pesa sobre o complexo baiano. Em dezembro de 2024, uma força-tarefa encontrou operários chineses em situação precária no canteiro de obras da montadora, contratados pela empreiteira Jinjiang. O Ministério Público do Trabalho descreveu alojamentos superlotados, retenção de passaportes, jornadas exaustivas e o desconto de boa parte dos salários; ao fim das apurações, o número de resgatados chegou a 220. Em maio de 2025, o órgão

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