Entenda por que a Honda registrou a CB 350RS no Brasil e a moto ainda pode não sair do papel
Versão esportiva da CB 350, rival das Royal Enfield, foi registrada no INPI; produção em Manaus exigiria novos investimentos
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/07/2026 às 22h00
A Honda voltou a registrar no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o desenho de uma integrante da família CB 350, reacendendo entre os fãs brasileiros a expectativa por uma clássica da marca japonesa. Apontado pelo Motor1.Com, o depósito da vez é da CB 350RS, a versão de pegada mais esportiva de uma linha já vendida na Índia e em outros mercados — mas os indícios seguem apontando para uma simples proteção de propriedade intelectual, e não para um plano de lançamento.
Não é a primeira movimentação do tipo. Em 2024, a fabricante já havia registrado a CB 350C, de estilo mais tradicional. A RS parte da mesma base mecânica das demais configurações, porém adota acabamento escurecido e detalhes de inspiração esportiva, aproximando-se do gosto de quem procura uma retrô com visual mais encorpado.

A linha CB 350 ganhou popularidade entre os brasileiros no embalo do avanço do segmento de motos clássicas, puxado sobretudo pela Royal Enfield. No país, as rivais diretas partem de cerca de R$ 23.790, caso da Meteor 350. Conforme o mercado, o modelo também atende pelos nomes GB 350 ou CB 350 H’ness — esta última à venda na Argentina desde 2025, e é dela que vêm os números mais próximos do que o público veria por aqui.
Na configuração argentina, a moto usa um monocilíndrico de 348,4 cm³ que rende 21,1 cv a 5.500 rpm e 3,1 kgfm de torque a 3.000 rpm, associado a um câmbio de cinco marchas com embreagem assistida e deslizante. A ficha inclui freios a disco com ABS de dois canais, controle de tração desconectável, iluminação full LED e painel analógico com visor digital — combinação que persegue o equilíbrio entre a estética retrô e os recursos contemporâneos.
Ainda assim, as chances de a CB 350 desembarcar no Brasil continuam baixas. O registro de desenho industrial serve, antes de tudo, para blindar o visual da moto contra cópias, sem que isso implique intenção de comercialização. Pesa também o fato de o depósito ter sido feito pela Honda Motor Co., braço global da marca, e não pela Moto Honda da Amazônia, responsável pela operação brasileira.

Há, por fim, o entrave industrial. Como a CB 350 não compartilha componentes com os modelos produzidos em Manaus (AM), sua nacionalização exigiria novos investimentos. Um caminho mais palpável seria a Honda desenvolver uma clássica sobre a plataforma da CB 300F Twister, base que já sustenta a XRE 300 Sahara e a XR 300L Tornado — solução que aproveitaria a estrutura local e reduziria custos.




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