Detonaram a Ferrari elétrica, derrubaram a ação da marca na bolsa, e ela esgotou na China assim mesmo

Primeiro sedã elétrico da marca vende as 88 unidades reservadas ao país mesmo após críticas ao design e à proposta inédita

ferrari luce
Ferrari Luce entrega 1.050 cv, mais de 530 km de autonomia e chegou à China fazendo sucesso (Foto: Ferrari | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/06/2026 às 22h00

Fracasso? Que nada, aparentemente: a Ferrari vendeu rapidamente toda a cota do Luce destinada à China. O primeiro sedã totalmente elétrico da marca teve as 88 unidades reservadas ao país esgotadas quase de imediato, apesar das críticas que cercaram sua estreia mundial.

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Apresentado em Roma no fim de maio, o modelo chegou ao mercado chinês por cerca de R$ 3,04 milhões (3.988.000 iuanes, ou US$ 586,6 mil), valor cerca de 7% inferior ao europeu após a conversão cambial, uma vantagem incomum para o consumidor chinês de superesportivos importados.

A estreia dividiu opiniões por marcar dois marcos para a fabricante italiana: trata-se do primeiro sedã de produção regular e também da primeira Ferrari 100% elétrico. Parte dos entusiastas criticou o visual mais discreto e o conceito voltado ao uso cotidiano, apontando um afastamento da identidade tradicional da marca. As reações chegaram a abalar momentaneamente a confiança dos investidores e contribuíram para uma queda nas ações da Ferrari logo após a apresentação. Nas semanas seguintes, a empresa ainda promoveu uma troca no comando de sua área comercial.

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Mesmo assim, o desempenho na China confirmou a previsão do presidente-executivo, Benedetto Vigna, que já dizia que a Luce vinha registrando forte demanda. O esgotamento sugere que as críticas nas redes sociais pouco influenciaram a decisão de compra do público de altíssimo poder aquisitivo da marca.

No papel, a Luce enfrenta rivais chineses mais baratos e até mais rápidos. O BYD Yangwang U9, superesportivo elétrico, custa cerca da metade e entrega mais potência, aceleração e velocidade de recarga. Já o GAC Hyptec SSR parte de 1.286.000 iuanes (perto de US$ 189,2 mil) — pelo preço de uma Luce seria possível levar cerca de três delas — e sua versão mais veloz vai de 0 a 100 km/h em apenas 1,9 segundo.

A Ferrari, porém, aposta em outro posicionamento. A Luce foi concebido como um Gran Turismo elétrico de cinco lugares, que combina uso diário com o prestígio do emblema de Maranello. Segundo observadores do setor, pouquíssimos dos 88 compradores chineses realmente compararam o italiano às alternativas locais: para esse público, o carro vale mais como símbolo de status do que como ficha técnica.

Equipado com quatro motores elétricos, um em cada roda, o Luce desenvolve 1.050 cv e, apesar dos 2.260 kg, acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, passa de 310 km/h de velocidade máxima e oferece autonomia superior a 530 km. A bateria de 122 kWh, de estrutura desenvolvida em Maranello, opera em arquitetura de 800 volts e aceita recargas de até 350 kW.

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