Dolly elétrico converte caminhão a diesel em híbrido e corta 85% das emissões

Startup americana desenvolveu dolly elétrico removível que converte caminhões a diesel em híbridos e reduz consumo e emissões em até 85%

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Unidade modular da Revoy conta com bateria de 575 kWh e eixo motorizado próprio para reduzir emissões e consumo de combustível em frotas de pesados (Foto: Revoy | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/08/2026 às 21h00

A eletrificação de frotas pesadas costuma esbarrar no preço dos caminhões elétricos, que custam o dobro ou o triplo de um equivalente a diesel, além de sofrerem com autonomia limitada e recargas demoradas. Para contornar o entrave sem trocar a frota inteira, a startup Revoy, de São Francisco, criou um dolly elétrico autopropulsionado que se acopla entre o cavalo mecânico e o semirreboque — e promete cortar até 85% das emissões de dióxido de carbono sem mexer no motor.

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A empresa recebeu autorização da NHTSA, a agência de segurança viária americana, em 2023, e concluiu um piloto de um ano com a transportadora Ryder em 2024. A primeira operação comercial começa ainda neste ano em um trecho de 322 km perto de Portland, no Oregon, com quatro unidades montadas a partir de componentes chineses.

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Foto: Revoy | Divulgação

Como funciona a bateria sobre rodas

Com 3,96 metros de comprimento e 9,9 toneladas, o equipamento carrega uma bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) de 575 kWh — capacidade equivalente à de um caminhão elétrico completo — que alimenta um eixo motorizado próprio. Quando o motorista acelera, o sistema identifica a demanda de carga e assume parte do esforço de tração, aliviando o motor a diesel. Em frenagens, opera em modo regenerativo para recarregar as baterias, efeito que segundo a Revoy reduz em até 30% a distância de parada.

Com peso bruto total de 36,3 toneladas, o conjunto roda mais de 322 km apenas em modo elétrico. A instalação não exige modificação no caminhão ou na carreta, e o módulo traz sistemas ativos contra capotamento e efeito canivete.

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Foto: Revoy | Divulgação

Os ganhos prometidos são expressivos. Segundo a empresa, o consumo médio de um pesado sai de uma faixa entre 29,4 e 39,2 litros por 100 km para algo entre 6,7 e 11,8 litros por 100 km, podendo chegar a 5,9 litros por 100 km em rotas de até 241 km. Segundo o CEO Peter Reinhardt, o combustível responde por mais de um quinto dos custos operacionais de um caminhoneiro, e o diesel no varejo americano segue cerca de 40% acima do patamar de US$ 3,80 por galão anterior ao atual conflito no Oriente Médio.

Assinatura por milha rodada

Para evitar a paralisação do veículo em recargas prolongadas, a Revoy aposta na troca rápida: em bases ao longo das rodovias, o módulo descarregado é substituído por outro cheio em menos de cinco minutos. O hardware não é vendido: a Revoy mantém a propriedade dos dollies e cobra do frotista uma assinatura por milha rodada.

O mercado potencial explica o interesse dos investidores: os Estados Unidos têm 3 milhões de caminhões pesados registrados, responsáveis por 6,7% de todos os gases de efeito estufa do país. A Revoy acaba de captar US$ 27 milhões, elevando o total levantado a US$ 41 milhões, e vai desenvolver uma segunda geração do dolly, mais barata e com bateria menor, mas de autonomia equivalente — com a meta de ter dezenas de unidades em rotas americanas até o fim de 2027.

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