Empresa de táxis autônomos tinha operadores humanos na Ásia para ajudar na direção dos veículos

Empresa do Google é pressionada a explicar por que seus carros "sem motorista" precisam de operadores do outro lado do mundo para funcionar

Taxis autonomos da WAYMO cruzam se em rua sem saida de são francisco
Não há motorista nos carros da Waymo, mas humanos operam-no remotamente (Foto: Waymo | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/02/2026 às 19h00

A promessa de autonomia total dos veículos da Waymo, subsidiária do Google, esbarrou em um detalhe humano  durante uma recente audiência no Senado dos Estados Unidos. Pressionada por questionamentos sobre segurança, a co-CEO da empresa, Tekedra Mawakana, admitiu que a companhia utiliza equipes de suporte remoto baseadas nas Filipinas para auxiliar seus táxis-robôs em situações de trânsito complexas.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Seguir AutoPapo no Google

Isso significa, na prática, que pessoas das Filipinas dirigem o carro — supostamente autônomos — em alguns momentos, guiam o carro remotamente em situações complexas. A revelação gerou desconforto imediato na comissão parlamentar, liderada pelo senador republicano Ted Cruz.

O debate central não é apenas tecnológico, mas de soberania: legisladores veem com ressalvas a ideia de que veículos circulando em vias públicas americanas dependam de infraestrutura e mão de obra operando do outro lado do Pacífico.

VEJA TAMBÉM:

Orientação remota

Para mitigar as críticas, a Waymo buscou traçar uma linha clara entre “assistência” e “condução”. Mawakana enfatizou que os operadores em Manila (e também no Texas e Arizona) não possuem um joystick para controlar os carros remotamente em tempo real. A função desses agentes é fornecer orientações de alto nível — como confirmar se é seguro ultrapassar um obstáculo ou interpretar uma sinalização de obra — quando o software de inteligência artificial fica na dúvida.

Segundo a executiva, o carro faz a pergunta, o humano responde, e o sistema de bordo executa a manobra. Essa distinção é crucial para a empresa, que tenta evitar a classificação de seus veículos como meramente “teleguiados”, o que invalidaria o argumento da autonomia veicular.

O fator China e a segurança nacional

O escrutínio do Senado, contudo, foi além da operação remota. A audiência mirou a cadeia de suprimentos da Waymo, especificamente a parceria com a fabricante chinesa Zeekr (do grupo Geely) para o desenvolvimento do modelo Waymo Ojai. Em um momento de tensão comercial entre Washington e Pequim, o uso de hardware chinês em infraestrutura crítica americana é um ponto sensível.

A Waymo defendeu-se alegando que, embora a “casca” do veículo seja fabricada na China, todo o sistema de direção autônoma — sensores, software e computação — é desenvolvido e integrado nos EUA. O argumento tenta blindar a empresa contra futuras sanções ou proibições de importação de tecnologia chinesa, tema recorrente na pauta legislativa atual.

O rigor do Senado não é gratuito: a indústria de autônomos enfrenta uma crise de confiança após incidentes recentes, incluindo atropelamentos e bloqueios de vias por falhas de software.

Newsletter
Receba semanalmente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário