Com tecnologia finlandesa e construção na China, projeto testa viabilidade de descarbonização radical no setor marítimo
Em um movimento pioneiro para a descarbonização do transporte marítimo global, a exportadora norueguesa Viken AT Market encomendou a construção daquele que deve ser o primeiro navio madeireiro do mundo movido a amônia. A iniciativa, que une tecnologia finlandesa e construção chinesa, representa um teste prático crucial para a viabilidade de combustíveis alternativos em escala comercial.
A embarcação, com lançamento previsto para o próximo ano, será equipada com um motor multicombustível desenvolvido pela Wärtsilä, referência global em propulsão naval. O projeto, assinado pela Skarv Shipping Solutions, será executado no estaleiro de Huanghao, na China. A estratégia foca no transporte de madeira entre a costa da Noruega e a Europa continental, uma rota curta que favorece a adoção de tecnologias experimentais.
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Segundo a Skarv, o cargueiro não foi projetado para travessias transoceânicas de alta velocidade, mas sim otimizado para eficiência em baixas velocidades regionais. Essa abordagem pragmática visa mitigar os riscos técnicos iniciais, permitindo que a indústria avalie o desempenho da amônia em condições reais de operação logística antes de uma eventual expansão para rotas globais.
Composta quimicamente por três átomos de hidrogênio e um de nitrogênio, a amônia destaca-se por não emitir carbono durante sua queima direta. No entanto, a tecnologia atual da Wärtsilä ainda não oferece uma operação “zero emissões” absoluta. O sistema exige uma pequena quantidade de combustível piloto — geralmente diesel ou outro óleo convencional — para iniciar a combustão e manter a estabilidade do motor, em uma limitação técnica que a engenharia naval ainda busca superar.
Apesar dessa ressalva, os ganhos ambientais projetados são expressivos. Estimativas indicam que o novo motor pode reduzir entre 85% e 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação aos navios movidos a óleo combustível pesado. Por outro lado, o uso da substância traz novos desafios, como a necessidade de sistemas de redução catalítica seletiva (SCR) para neutralizar os óxidos de nitrogênio (NOx) gerados na queima, além de rigorosos protocolos de segurança devido à toxicidade do composto.
Sem previsão de adoção massiva no curto prazo, o projeto da Viken serve como um laboratório flutuante. O sucesso desta empreitada pode ditar o ritmo da transição energética nos mares do Norte, estabelecendo a amônia não apenas como um produto químico industrial, mas como um vetor energético viável para o futuro da navegação.
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