Entregadores fazem greve nacional para cobrar piso e transparência

Categoria cobra taxa mínima por quilômetro, regras claras para suspensão de contas e maior segurança jurídica no trabalho por aplicativos

motoboy ifood entregador
Paralisação dos entregadores expõe insatisfação com ganhos, pressões no trânsito e falta de proteção previdenciária. (Foto: Getty Images )
Por Julia Vargas
Publicado em 03/09/2026 às 11h00

A mobilização nacional conhecida como “Breque Geral dos Apps” reuniu entregadores de aplicativos em diversas cidades do Brasil para reivindicar melhores condições de trabalho, reajuste nas remunerações e maior transparência nas plataformas digitais. O movimento contou com protestos em sedes de empresas como 99 e iFood, denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e episódios de tensão no Distrito Federal.

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Principais reivindicações da categoria

A paralisação teve como foco central a revisão dos modelos de remuneração aplicados pelas empresas de entrega. Durante a mobilização, a orientação dos organizadores foi para que os profissionais se mantivessem desconectados das plataformas. As principais demandas do movimento incluem:

  • Taxa mínima por entrega: criação de um piso de R$ 10 para corridas de até quatro quilômetros.
  • Valor por quilômetro rodado: pagamento de R$ 2,50 para cada quilômetro adicional percorrido.
  • Transparência nos bloqueios: fim das suspensões automáticas de contas sem justificativa detalhada ou canal de contestação.
  • Proteção social e previdenciária: mecanismos que garantam amparo e segurança aos trabalhadores do setor.

Além dessas pautas, a categoria fez críticas à modalidade “+Entregas”, do iFood, e ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que trata da regulamentação do trabalho intermediado por aplicativos, alegando que o projeto não supre adequadamente as necessidades de remuneração e previdência.

Protestos em SP e Denúncia no MPT por Bônus ‘Anti-Greve’

Em São Paulo, cerca de 300 motociclistas se concentraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e seguiram em motociata até as sedes do iFood e da 99. Manifestações também foram registradas em cidades como Santos, Goiânia e Anápolis.

Durante os atos em São Paulo, lideranças do movimento protocolaram uma representação no Ministério Público do Trabalho (MPT) contra as empresas Keeta e 99Food. A acusação, feita pelo entregador Júnior Freitas, aponta que as plataformas teriam oferecido incentivos financeiros adicionais (entre R$ 3 e R$ 9 por entrega) durante os horários da paralisação para desmobilizar o movimento. Relatos também apontaram taxas promocionais lançadas pelo iFood em Santos no mesmo período.

O que dizem as empresas e entidades

  • Keeta: declarou que as taxas de incentivo fazem parte de seu programa regular de ganhos, sem relação com a greve, ressaltando que respeita a autonomia dos entregadores e o direito de manifestação.
  • iFood: afirmou que o programa “+Entregas” é opcional e visa oferecer previsibilidade e ganhos superiores aos profissionais por meio da combinação de valores fixos e direcionamento de pedidos.
  • Amobitec: a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (que representa iFood, 99 e Uber) declarou respeitar os atos pacíficos e defendeu uma regulamentação equilibrada, focado na proteção social e na segurança jurídica.

Tensões e atuação policial

No Distrito Federal, a mobilização registrou episódios de confronto entre entregadores favoráveis ao ato e colegas que optaram por continuar trabalhando. Vídeos divulgados em redes sociais mostraram discussões em frente a estabelecimentos comerciais e tentativas de impedir a retirada de pedidos no Riacho Fundo I e em outras regiões.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) compareceu aos locais de conflito, identificou e ouviu os envolvidos. No entanto, como nenhuma das partes manifestou interesse em registrar ocorrência formal, o caso foi encerrado sem a abertura de inquérito.

Luiz Carlos Garcia, presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do DF (Sindmoto-DF), lamentou os desentendimentos, mas classificou os fatos como um “pedido de socorro” de uma categoria exausta. O dirigente criticou o conceito de autonomia vendido pelas empresas e alertou para a falta de suporte aos riscos de acidentes enfrentados diariamente no trânsito.

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