Este capacete promete encarar um urso, mas seria multado em qualquer blitz no Brasil; entenda
Equipamento tem casco de capacete de bicicleta e viseira de policarbonato até o queixo; entenda por que ele seria ilegal no Brasil
Publicado em 27/07/2026 às 09h00
A TOM’s é conhecida por deixar Toyotas e Lexus mais rápidos: suspensões, escapamentos, kits de preparação e décadas de vitórias nas pistas japonesas. Agora a marca entrou em um território que ninguém esperava. Sua novidade mais recente não tem nada a ver com automóveis: é um capacete feito para quem tem medo de urso.
Chamado Protect Light, o equipamento foi desenvolvido pela Ishino Shokai, subsidiária da TOM’s, em parceria com a Tohoku Tachibana. A escolha não é aleatória: a Ishino fabrica capacetes para motos e bicicletas há mais de quatro décadas.
Casco de bike com escudo de policarbonato
Visualmente, o Protect Light parece um cruzamento entre um capacete de Fórmula 1 dos anos 1960 e o equipamento que um funcionário da prefeitura usa para roçar mato na beira da estrada. O casco, disponível em branco ou cinza, é baseado em um capacete de bicicleta certificado. Na frente, uma ampla viseira de policarbonato desce até quase a altura do queixo, criando uma barreira entre o rosto e o que quer que venha em sua direção.
O conjunto pesa 540 gramas e custa 14.800 ienes (cerca de US$ 90). O público-alvo são agricultores, trilheiros e qualquer pessoa que precise circular por áreas de mata no Japão.
A fabricante, porém, repete o alerta várias vezes: o Protect Light não garante proteção contra ursos ou outros animais selvagens. A viseira pode ser danificada ou perfurada por impactos fortes, garras ou dentes. O objetivo é reduzir o risco de lesões no rosto, não transformar o usuário em cavaleiro medieval.
O contexto explica a demanda. Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Japão, o país registrou 50.776 avistamentos de ursos-negros-asiáticos no ano fiscal de 2025 — mais que o dobro do recorde anterior. Os ataques mataram 13 pessoas e feriram outras 225 no período, o pior saldo já contabilizado.
E no Brasil? O que a lei exige de um capacete
Por aqui, urso não é problema, mas capacete é assunto regulamentado. A Resolução 940/2022 do Contran define o que vale nas vias públicas: o equipamento precisa ser motociclístico, estar certificado por organismo acreditado pelo Inmetro e trazer o selo de conformidade ou etiqueta interna. Também é obrigatório ter dispositivos retrorrefletivos nas laterais e na traseira — aqueles adesivos que muita gente arranca por questão estética e não deveria.
A cinta jugular deve ficar presa sob o maxilar, e o motorista precisa usar viseira ou, na falta dela, óculos de proteção em bom estado. Com a moto em movimento, a viseira tem de estar abaixada; à noite, precisa ser do padrão cristal. Aplicar película é proibido.
As punições variam: circular sem capacete ou com equipamento indevido é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e suspensão do direito de dirigir. Capacete fora das especificações é infração grave, de R$ 195,23. Rodar sem viseira ou óculos de proteção é infração média, de R$ 130,16 e cinco pontos na carteira.
Ou seja: por mais engenhoso que seja, um Protect Light na cabeça não livraria ninguém da autuação em uma blitz brasileira. Ele foi feito para a mata, não para o asfalto.
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