Explosão da IA está roubando chips e deixará os carros mais caros, diz a GM
IA já consome 32% da produção mundial de memória e deve chegar a 48% até 2028; montadoras correm para garantir seus estoques
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 24/07/2026 às 21h00
Toda vez que alguém pede uma receita ao ChatGPT ou aciona o Gemini para redigir um texto, a demanda por inteligência artificial cresce um pouquinho. Multiplique isso por bilhões de pessoas e o resultado aparece num lugar inesperado: o preço do seu próximo carro.
O motivo é a disparada no custo dos chips de memória. Os componentes de DRAM, responsáveis pelo armazenamento temporário de dados, hoje custam seis vezes mais do que há um ano. E os automóveis dependem cada vez mais deles, já que tudo — dos assistentes avançados de condução às funções básicas do painel — recorre ao mesmo tipo de silício.
A GM já projeta carros mais caros
Em entrevista ao Nikkei Asia, o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, afirmou que a montadora espera um aumento de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões nos custos de insumos neste ano. Ele não detalhou quanto disso vem especificamente dos chips, e o valor não inclui tarifas de importação. Segundo o executivo, o aperto deve piorar no segundo semestre.
A consultoria AlixPartners estima que a indústria automotiva consome cerca de 10% de toda a DRAM produzida no mundo. A IA já responde por 32%, a maior fatia isolada, à frente de smartphones, computadores e qualquer outra categoria. A projeção é de que esse índice chegue a 48% até 2028 — e, quando data centers e IA estiverem engolindo metade da produção global, todo o resto, montadoras incluídas, vai pagar a conta.
Além da alta de preços, há também escassez: os fabricantes de chips não conseguem acompanhar o ritmo da demanda.
O que as montadoras estão fazendo
De acordo com o Nikkei Asia, o cenário obriga as fabricantes a se anteciparem. GM e Ford, além de sete importantes fornecedores de autopeças — entre eles Denso e Astemo —, fecharam recentemente contratos de fornecimento de longo prazo com a Micron. As montadoras também tentam garantir estoques de DRAM antes da escassez prevista para o ano que vem.
A GM já revisou sua previsão de preços para a América do Norte: agora projeta alta média de 0,3% no valor dos veículos novos neste ano, em vez da estabilidade ou leve queda de 0,3% que esperava antes. A própria montadora batizou o fenômeno de “chipflation” — a inflação dos chips.
Quem sente mais o baque são as fabricantes chinesas, já que os veículos eletrificados avançados do país usam mais chips do que boa parte das alternativas ocidentais. A corretora Huayuan Securities calculou que o custo de memória em carros produzidos na China passava de US$ 70 por unidade em novembro de 2025, contra cerca de US$ 30 nos modelos japoneses. Algumas marcas chinesas já começaram a repassar esse custo, elevando o preço de pacotes opcionais de assistência à condução.
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