Financiamento de veículos tem melhor agosto em 15 anos, e inadimplência é a maior desde 2012
Bancos liberaram R$ 173 bilhões para compra de veículos até julho, acima dos cerca de R$ 150 bilhões de 2024 e 2025, e endureceram análise de crédito
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/10/2026 às 19h00
O financiamento de veículos teve em agosto o melhor resultado para o mês em 15 anos no Brasil, mesmo com juros altos e renda comprometida. Ao mesmo tempo, a inadimplência nos financiamentos de pessoas físicas chegou ao maior nível desde 2012.
Foram 683.928 unidades financiadas em agosto, alta de 10,4% sobre o mesmo mês de 2025 e maior volume para o período desde 2011, quando 729.672 veículos tiveram crédito aprovado, segundo a Trillia, unidade de dados da B3.
No acumulado do ano até agosto, foram 5,136 milhões de veículos novos e usados financiados, alta de 10% sobre o mesmo período de 2025.
Em valores, os bancos liberaram R$ 173 bilhões para a compra de veículos entre janeiro e julho, segundo o Banco Central. O montante supera os cerca de R$ 150 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2024 e de 2025.
Em julho, 6,63% dos financiamentos de pessoas físicas tinham atraso superior a 90 dias, maior índice desde 2012. Entre as empresas, o percentual chegou a 5,62%, o maior desde 2016.
O quadro já afeta a concessão de crédito. Segundo Cassio Pagliarini, sócio da consultoria Bright, os bancos estão mais seletivos para evitar uma nova disparada da inadimplência.
Carro mais caro que em 2012
O cenário é diferente do de 2012, quando a redução do IPI e a queda da Selic para 7,25% ao ano impulsionaram as vendas e facilitaram o acesso ao crédito. Naquele ano, a inadimplência passou de 6%.
Além disso, os carros ficaram mais caros. Em 2012, o Volkswagen Gol partia de R$ 27.990, o equivalente a R$ 57,5 mil hoje, após correção pelo IPCA. Atualmente, nenhum dos modelos mais vendidos parte de menos de R$ 90 mil. O Volkswagen Polo, líder entre os carros de passeio, custa a partir de R$ 96.690.
No Santander, líder em financiamento de veículos, os atrasos permanecem estáveis depois que o banco endureceu a análise de crédito. A entrada varia conforme o perfil do cliente: pode ser dispensada para bons pagadores e chegar a 20% ou 30% do valor do carro nos perfis de maior risco.
O banco também aponta que o avanço de elétricos e híbridos chineses, com menor custo de abastecimento e manutenção, ajuda a reduzir o peso das parcelas no orçamento.
Já no C6 Bank, a entrada média é de 40% do valor do veículo. Segundo Ricardo Bonzo, diretor de veículos do banco, a inadimplência não está concentrada em uma faixa específica e atinge clientes das classes A a D.
Move Brasil fica fora da conta
O programa Move Brasil também ajudou a aumentar a procura por veículos, embora com baixa taxa de aprovação. Criado em junho, ele oferece crédito em condições especiais para que entregadores, taxistas, motoristas de aplicativo e profissionais de transporte escolar comprem veículos novos e seminovos.
Segundo o BNDES, o programa já movimentou R$ 5,3 bilhões em vendas, com 51 mil carros comercializados. A aprovação depende da análise de crédito dos bancos que repassam os recursos, já que são eles que assumem o risco da operação.
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