Ford dividirá fábrica na Europa com a chinesa Geely para cortar custos

Planta de 500 mil unidades ao ano vira polo compartilhado das duas montadoras, que miram novos elétricos e híbridos na Europa até 2028

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Executivos e funcionários celebram o acordo de joint venture entre Ford e Geely para a produção de veículos na fábrica de Valência, na Espanha (Foto: Ford | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 24/07/2026 às 15h00

A Ford e a Geely anunciaram a criação de uma joint venture na Europa para produzir carros elétricos, híbridos e de outras tecnologias de baixa emissão na fábrica de Valência, na Espanha, em uma das parcerias mais relevantes da indústria automotiva nos últimos anos. O acordo, divulgado na última quinta-feira (23), prevê que a norte-americana fique com 66% da nova sociedade e a chinesa com os 34% restantes.

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Segundo as duas montadoras, a operação depende de aprovação regulatória e deve começar no primeiro semestre de 2027, com os primeiros veículos saindo da linha de montagem em 2028. Até lá, a unidade continuará a fabricar sem interrupção o Kuga, SUV híbrido plug-in que é um dos mais vendidos da marca no continente.

Localizada em Almussafes, nos arredores de Valência, a fábrica opera desde 1976 e já produziu milhões de carros, entre eles as primeiras gerações do Fiesta. Com capacidade para cerca de 500 mil unidades por ano, o complexo vinha sendo subutilizado e passará a funcionar como polo compartilhado pelas duas empresas. A expectativa, de acordo com as fabricantes, é diluir custos de produção e de desenvolvimento ao concentrar volume em uma mesma planta.

As razões da união

O movimento aparece em um momento de forte pressão sobre as montadoras tradicionais, espremidas entre metas rígidas de emissões, custos elevados e a chegada acelerada de marcas chinesas ao mercado europeu. Para analistas, a associação com a Geely é uma tentativa da Ford de reaprender a cortar custos e a desenvolver modelos mais baratos para a região, sob risco de perder terreno na Europa.

Para a Geely, a parceria acelera a expansão internacional. A empresa afirma ter vendido 474.228 veículos fora da China no primeiro semestre de 2026, alta de 158% na comparação anual, um dos ritmos de crescimento mais rápidos entre as marcas chinesas. Produzir na Europa, diz o grupo, permite reforçar a presença local com produtos ajustados ao gosto do consumidor da região.

A partir de 2028, a linha de Valência deve receber novos projetos. Pelo lado da Ford, estão previstos uma versão compacta da família Bronco adaptada ao mercado europeu e um novo crossover multienergia desenvolvido em conjunto com a Geely. A chinesa, por sua vez, planeja fabricar dois SUVs totalmente elétricos na unidade. Os lançamentos integram o plano da Ford de levar cinco novos modelos de passageiros às concessionárias europeias até 2029.

A cooperação inaugura a primeira joint venture industrial entre as duas companhias, mas a relação é antiga: remonta a 2010, quando a Ford vendeu a Volvo Cars à Geely. Sob controle do grupo chinês, a marca sueca passou por uma reestruturação considerada bem-sucedida, o que, segundo as empresas, ajudou a construir a confiança que sustenta o acordo agora firmado na Espanha.

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