Ford Ranger 6×6 pode substituir os Land Rover Defender no exército do Reino Unido
Versão 6x6 usa chassi da Ranger Super Duty, soma motor diesel V6 e motor elétrico e concorre com Land Rover, GM e Ineos por 2.500 unidades licitadas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/09/2026 às 18h00
A Ford entrou na disputa por um dos maiores contratos de veículos militares em aberto no Reino Unido. Ao lado da General Dynamics Land Systems UK e da consultoria de engenharia Ricardo, a montadora inscreveu versões militarizadas da Ranger, incluindo uma variante de seis rodas, no programa Light Mobility Vehicle (LMV), do Ministério da Defesa britânico.
O edital prevê a compra de cerca de 2.500 utilitários leves para aposentar as frotas de Land Rover Defender e Steyr-Puch Pinzgauer até 2030, dentro de uma iniciativa avaliada em 4,8 bilhões de libras (cerca de R$ 33 bilhões). A Ranger concorre com o Land Rover Defender Wolf Series II e com propostas de General Motors e Ineos.

O consórcio levou dois protótipos à vitrine. O primeiro é uma picape de quatro rodas derivada da versão Wildtrak, com para-choque tubular, santantônio na caçamba e pintura de camuflagem. O segundo, mais ambicioso, tem carroceria de aparência semelhante à da configuração XLT, mas usa o chassi da Ranger Super Duty, desenvolvida na Austrália. A conversão de seis rodas não é inédita: Ricardo e Ford já haviam mostrado um exemplar em 2023. A novidade é a entrada da General Dynamics no grupo.
V6 diesel com reforço elétrico
Sob o capô fica o motor V6 3.0 turbodiesel com 209 cv e 61,2 kgfm, associado a um sistema híbrido. Segundo dados divulgados anteriormente pela Ricardo, um motor elétrico traseiro acrescenta 286 cv nas configurações 6×6 e 6×4.

A preparação para o uso em campo inclui blindagem inferior de aço, caixa de transferência reforçada, bloqueio dos diferenciais dianteiro e traseiro e suspensão de maior curso, que eleva a altura livre do solo para quase 30 cm e permite atravessar trechos alagados de até 85 cm. A capacidade de reboque chega a 4.500 kg, a carga útil a 1.982 kg e o peso bruto total combinado a 8.000 kg. No interior, um software tático de missão roda na central multimídia de série, de 12″.

Testes começam em outubro
As avaliações do Ministério da Defesa estão previstas para ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027, de acordo com o Defense Blog. A General Dynamics afirma que a proposta é escalável e de baixo custo, e que atende às necessidades do Exército britânico ao mesmo tempo em que abre espaço para exportação. São argumentos que ainda não passaram pelo crivo dos testes oficiais.
A lógica é conhecida por aqui. As Forças Armadas brasileiras também aposentaram Land Rover Defender e Toyota Bandeirante ao padronizar a frota leve em torno do Agrale Marruá, adotado em 2005 e ainda em serviço. A diferença é que o projeto nacional nasceu militar, enquanto os britânicos avaliam adaptar picapes de linha civil.
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