Quedas no preço faz o etanol compensar mais na maioria do Brasil; veja seu estado

Etanol recuou 2,06% em agosto e passou a compensar em 17 estados, segundo levantamento da ValeCard em 25 mil postos

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Etanol teve a maior queda entre os combustíveis em agosto e ampliou a vantagem sobre a gasolina em 17 estados (Foto: AutoPapo | Acervo)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 31/08/2026 às 15h00

Gasolina, etanol e diesel S-10 ficaram mais baratos em agosto, no terceiro mês consecutivo de queda. Segundo levantamento da ValeCard, o etanol puxou o movimento com recuo de 2,06% na média nacional, contra 0,68% da gasolina e 0,51% do diesel S-10.

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Na média do país, a gasolina passou de R$ 6,821 para R$ 6,774 por litro. O etanol caiu de R$ 4,365 para R$ 4,275, e o diesel S-10, de R$ 7,196 para R$ 7,159. Desde maio, o etanol acumula queda de 7,45%, muito acima de 1,97% do diesel e 1,21% da gasolina.

Há um prazo curto embutido nesse alívio: em 26 de agosto, o governo prorrogou a subvenção à gasolina apenas até 9 de setembro. A medida segura repasses e, sem renovação, parte da pressão hoje contida pode chegar à bomba.

Qual combustível compensa mais em cada estado

Posição Estado Gasolina (R$/l) Etanol (R$/l) Etanol/gasolina Compensa mais
Roraima 8,168 4,445 54,4% Etanol
Mato Grosso 6,993 3,911 55,9% Etanol
Amapá 7,660 4,502 58,8% Etanol
São Paulo 6,558 3,865 58,9% Etanol
Mato Grosso do Sul 6,782 4,158 61,3% Etanol
Goiás 6,799 4,201 61,8% Etanol
Paraná 6,675 4,210 63,1% Etanol
Distrito Federal 6,701 4,342 64,8% Etanol
Minas Gerais 6,599 4,357 66,0% Etanol
10º Acre 7,688 5,125 66,7% Etanol
11º Amazonas 7,395 4,930 66,7% Etanol
12º Bahia 7,039 4,694 66,7% Etanol
13º Rondônia 7,405 5,173 69,9% Etanol
14º Paraíba 6,818 4,778 70,1% Gasolina
15º Santa Catarina 6,495 4,556 70,1% Gasolina
16º Pará 7,297 5,131 70,3% Gasolina
17º Rio Grande do Sul 6,337 4,460 70,4% Gasolina
18º Ceará 7,190 5,089 70,8% Gasolina
19º Tocantins 7,308 5,179 70,9% Gasolina
20º Piauí 7,300 5,251 71,9% Gasolina
21º Rio de Janeiro 6,695 4,820 72,0% Gasolina
22º Pernambuco 7,095 5,164 72,8% Gasolina
23º Espírito Santo 6,807 4,970 73,0% Gasolina
24º Alagoas 7,157 5,253 73,4% Gasolina
25º Rio Grande do Norte 6,847 5,051 73,8% Gasolina
26º Maranhão 7,094 5,278 74,4% Gasolina
27º Sergipe 7,410 5,537 74,7% Gasolina
Média nacional 6,774 4,275 63,1% Etanol

Etanol compensa em 17 estados

A queda mais forte do biocombustível ampliou sua vantagem. Em agosto, o etanol custava, em média, 63% do preço da gasolina, contra cerca de 64% em julho. Pelo parâmetro de até 70% usado como referência inicial para carros flex, o etanol passou a compensar em 17 estados, contra 13 em julho e dez em junho.

As melhores relações ficaram em Roraima (54%), Mato Grosso (56%), Amapá e São Paulo (59% cada). O preço médio mais baixo do etanol foi o paulista, de R$ 3,865 por litro; o mais alto, o de Sergipe, com R$ 5,537. O biocombustível recuou em 25 estados, com alta apenas no Distrito Federal (4,70%) e em Sergipe (0,13%).

Norte na contramão

A gasolina caiu em 19 estados, com destaque para a Bahia, onde o preço médio recuou 1,83%. O Distrito Federal teve a maior alta, de 4,04%. O Rio Grande do Sul registrou o litro mais barato do país, R$ 6,337, e Roraima o mais caro, R$ 8,168 — diferença de R$ 1,831 que expõe o peso da logística regional.

No diesel S-10, a queda também alcançou 19 estados, puxada por Pernambuco, Paraíba, Tocantins, Minas Gerais e Santa Catarina. O Norte, porém, andou na direção oposta: Acre, Amazonas, Amapá e Roraima subiram sem interrupção em junho, julho e agosto. O Acre acumula alta de 11,59% desde maio e agora tem o diesel mais caro do país, a R$ 8,233 o litro, enquanto o Rio Grande do Sul mantém o mais barato, a R$ 6,368.

Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, o mercado entrou em “um período de maior acomodação, mas isso não significa ausência de riscos”. Ele aponta petróleo, câmbio e custos logísticos como as variáveis mais sensíveis, sobretudo para o diesel, e credita parte da queda à subvenção ao combustível.

O quadro se desenha em um ambiente de inflação mais fraca: o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, com 4,24% acumulados em 12 meses, segundo o IBGE.

O levantamento da ValeCard não usa dados oficiais de preço: baseia-se em transações feitas com os cartões da empresa entre 1º e 26 de agosto, em mais de 25 mil postos credenciados no país.

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