GM veta peça usada em radar e câmera de ADAS e alerta para acessórios que atrapalham os sensores
Documento sobre reparos pós-colisão restringe radares, câmeras e módulos a itens novos e genuínos em Chevrolet, Buick, GMC e Cadillac
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 20/08/2026 às 12h00
A General Motors proibiu o uso de peças usadas, recondicionadas ou de mercado paralelo em reparos dos sistemas de assistência ao motorista (ADAS) de seus veículos. Em um posicionamento oficial sobre reparos pós-colisão divulgado no fim de julho, a montadora afirma que apenas componentes novos e genuínos podem ser empregados nesses serviços — o uso de qualquer outro tipo é, nas palavras da empresa, estritamente proibido.
A regra vale para radares, câmeras, sensores, módulos de controle, chicotes elétricos, suportes e demais peças de fixação dos sistemas ADAS nos modelos das marcas Chevrolet, Buick, GMC e Cadillac. Componentes recuperados de sucata, reciclados, recondicionados, remanufaturados ou vindos do mercado de reposição estão todos fora da lista de aprovados.
O argumento é técnico: peças usadas ou não originais podem ter sido fabricadas ou manuseadas de forma inadequada, o que compromete a confiabilidade e, principalmente, a calibração dos sensores. Por isso, além das peças genuínas, a GM exige que seus procedimentos oficiais de reparo e calibração sejam seguidos à risca.
Acessórios e modificações também entram na mira
A montadora vai além das peças de reposição e adverte que uma série de acessórios pode interferir no funcionamento dos sistemas: películas protetoras, envelopamento, insulfilm, protetores de capô, suportes para bicicletas, bagageiros de teto e barras de luz. Como observou o site Carscoops, o alerta tem um componente constrangedor — a própria GM vende vários desses itens como acessórios de fábrica.
Alterações na suspensão, na direção, nas rodas e nos pneus completam a lista. Kits de elevação não originais e kits de rebaixamento mudam a altura da carroceria e os ângulos de alinhamento, duas variáveis que os sensores usam como referência.
O pacote de assistências da GM reúne controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, assistente de permanência em faixa, alerta de saída de faixa, frenagem automática para pedestres, head-up display, alerta de tráfego cruzado traseiro, estacionamento automático, visão 360 graus, centralização de faixa com as mãos ao volante e o Super Cruise, sistema de condução assistida que dispensa as mãos no volante em rodovias mapeadas.
O que isso significa para o dono de Chevrolet no Brasil
O documento se dirige à rede de reparação dos Estados Unidos, e a GM não publicou orientação equivalente para o mercado brasileiro. Ainda assim, o tema não é distante: a linha nacional já oferece pacotes ADAS em Equinox, S10, Trailblazer, Spin e no Tracker 2027, ainda que o Super Cruise não seja vendido por aqui.
No Brasil, a discussão também é jurídica. O artigo 21 do Código de Defesa do Consumidor determina que serviços de reparo empreguem componentes originais adequados e novos — ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante — e, nesse último caso, com autorização expressa do consumidor. O artigo 70 vai além e tipifica como crime o uso de peças usadas em reparos sem esse consentimento, com pena de três meses a um ano de detenção e multa. Em um carro cujo radar decide quando frear sozinho, saber qual peça foi instalada deixou de ser um detalhe burocrático.
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