Governo chinês aponta irregularidades na fabricação do Geely EX2

Notícia surge um dia após quatro órgãos do governo chinês lançarem uma campanha de um ano para apertar o controle de qualidade do setor

Geely EX2 (BR) (7)
Os modelos foram pegos pelo Governo chinês por divergências entre os veículos produzidos e os parâmetros registrados (Fotos: Geely | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/09/2026 às 10h00

O governo chinês identificou irregularidades em sete modelos durante a inspeção de conformidade de produção de veículos de elétricos e híbridos referente a 2025. Entre os apontados estão dois dos carros mais vendidos do país: o Geely Xingyuan, que chegou ao Brasil como Geely EX2, e o BYD Qin L DM-i.

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O comunicado do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) não citou nomes comerciais, apenas os códigos de identificação dos veículos. O cruzamento com registros anteriores permitiu associar os códigos aos dois modelos.

No caso do Xingyuan, a distância entre eixos da unidade inspecionada divergiu do valor declarado no catálogo oficial além da margem tolerada de 1%. O carro foi fabricado pela Zhejiang Haoqing Automobile Manufacturing, empresa do grupo Geely.

Já no Qin L DM-i, o consumo de combustível aferido no modo de manutenção de carga, quando a bateria já está descarregada e o motor a combustão assume o trabalho, superou o número declarado pela fabricante. O MIIT não informou o consumo medido, o tamanho da diferença nem a versão envolvida. Também não detalhou quais sanções foram aplicadas a Geely e BYD.

Dois campeões de venda na mira

O peso do caso está no tamanho dos modelos envolvidos. O Xingyuan foi o veículo mais vendido da China em 2025, com 465.775 unidades no varejo, e ultrapassou 800 mil unidades acumuladas em menos de dois anos de mercado.

No Brasil, o hatch elétrico é vendido como Geely EX2 desde novembro de 2025, com motor de 116 cv e entre-eixos de 2,65 m. O Qin L DM-i, por sua vez, não é comercializado por aqui: trata-se de um sedã híbrido plug-in de porte médio, maior que o King oferecido no mercado brasileiro, que deriva de outro projeto da BYD.

Os outros cinco veículos apontados na inspeção eram comerciais. Entre os problemas estavam ausência de manuais, divergências nos parâmetros registrados e janelas de emergência e dispositivos de proteção fora dos padrões nacionais.

Fiscalização em outro patamar

Segundo o MIIT, as medidas variam conforme a gravidade e vão de exigência de correção à suspensão ou retirada do produto do catálogo oficial, além da interrupção da transmissão eletrônica dos certificados de conformidade, documento sem o qual o carro não pode ser emplacado.

A divulgação veio um dia depois de quatro órgãos do governo chinês lançarem uma campanha nacional de um ano para elevar a qualidade e a conformidade da produção automotiva. A iniciativa transforma as inspeções anuais em uma força-tarefa entre agências, com foco em segurança de veículos conectados, capacidade de pesquisa e desenvolvimento das empresas e conformidade dos produtos.

O próprio MIIT já havia alertado que projetos agressivos estão indo para a linha de montagem sem testes suficientes e que a competição desenfreada entre as marcas aumenta os riscos de qualidade. Ao expor publicamente modelos específicos, Pequim passa da orientação regulatória para a punição direta.

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