Honda e GAC estendem parceria e terão ‘joint venture 2.0’ na China
Acordo mantém divisão de 50% na China e troca a transferência de tecnologia do Japão por desenvolvimento conjunto com o grupo chinês
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 28/07/2026 às 20h00
A Honda e o grupo estatal chinês GAC assinaram a renovação do contrato da GAC Honda Automobile, a joint venture que a montadora japonesa mantém na China desde 1998. O acordo, anunciado pela Honda China em 20 de julho, estende a vigência da parceria até 2038 e mantém inalterada a divisão de 50% para cada lado.
O contrato original, de 30 anos, expiraria em 2028. A renovação, firmada no início de julho, acrescenta dez anos a esse limite — ou doze, se a contagem partir da assinatura. A diferença importa porque, até semanas atrás, o mercado especulava se a Honda não estaria simplesmente de saída da China.

A dúvida tinha fundamento nos números: no primeiro semestre de 2026, a GAC Honda entregou 68.318 veículos, em queda de 55,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em junho, foram 14.099 unidades vendidas, recuo de 53%, enquanto a produção caiu mais de 83%, para 5.201 carros. Analistas do setor na China chegaram a apontar que as negociações estariam travadas porque a GAC buscava maior controle sobre o negócio.
O quadro não é exclusivo da Honda. As marcas nascidas de joint ventures entre montadoras estrangeiras e grupos chineses perdem espaço em ritmo acelerado, pressionadas pela guerra de preços e pelo avanço das fabricantes locais em elétricos e híbridos. Dados da associação de fabricantes CPCA indicam que as vendas no varejo dessas marcas caíram 34% em junho, na comparação anual. Outro contrato de peso vence em breve: o da SAIC-GM, que também completa 30 anos, expira em junho de 2027 e segue em negociação.
De transferência de tecnologia a cocriação

O modelo anterior de parceria se apoiava na transferência de tecnologia do Japão para a China; o novo prevê atuação conjunta em definição de produto, pesquisa e desenvolvimento e cadeia de fornecimento. É a passagem de “receber tecnologia” para “criá-la em conjunto” — o que a imprensa chinesa já apelidou de era das “joint ventures 2.0″.
Para 2027, a GAC Honda prevê três lançamentos: uma nova geração do Accord, um modelo equipado com a quinta geração do sistema híbrido i-MMD da Honda e um carro desenvolvido internamente sobre uma plataforma de veículos eletrificados pensada para o consumidor chinês.
Criada em julho de 1998 com o nome de Guangzhou Honda, a operação foi a primeira joint venture de produção e venda de automóveis da Honda na China. A fábrica de Guangzhou, na província de Guangdong, começou a rodar em março de 1999 e já entregou mais de 11 milhões de veículos. Hoje a linha reúne sedãs, SUVs, minivans e elétricos. Na estrutura societária, a GAC detém 50%, a Honda Motor fica com 40% e o braço chinês de investimentos da japonesa responde pelos 10% restantes.
Para o leitor brasileiro, o nome do parceiro chinês não é estranho: a GAC iniciou operações comerciais no Brasil em 2026, com os elétricos Aion UT e Aion V e o SUV GS3, e trabalha com a previsão de começar a produzir localmente a partir de 2027.
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