Honda tira nota máxima da FIA em segurança viária — sem nenhum teste de colisão para isso
Fabricante japonesa é a primeira a atingir cinco estrelas no índice da FIA, que audita a gestão de segurança das empresas, e não os carros
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/09/2026 às 14h00
A Honda se tornou a primeira empresa do mundo a alcançar a nota máxima de cinco estrelas na categoria de produtos e serviços do Índice de Segurança Viária da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O reconhecimento foi entregue em Monza, no Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, no último fim de semana.
Criado em 2022, o índice não avalia carros: avalia empresas. A ferramenta permite que companhias e órgãos públicos calculem a própria “pegada de segurança viária” — quantas mortes e lesões graves estão associadas às suas operações e cadeias de valor —, em lógica parecida com a da contabilidade de emissões de carbono. Sua criação respondeu à Declaração de Estocolmo, de 2020, que pediu mais envolvimento do setor privado nas metas globais de trânsito.
É aí que está a diferença em relação aos programas de NCAP: o Latin NCAP e o Euro NCAP submetem um modelo específico a testes de colisão e dão estrelas ao desempenho daquele veículo. O índice da FIA não bate carro em barreira nem usa bonecos de teste: audita a gestão corporativa — se a empresa mede o problema, planeja ações, acompanha resultados e sustenta uma cultura interna de segurança — e alimenta relatórios de sustentabilidade e governança. As cinco estrelas não dizem que um Honda é mais seguro que um rival num impacto frontal, mas que a gestão de segurança viária da marca atingiu o nível mais alto do método.
O sistema tem duas trilhas: uma de cadeia de suprimentos e outra de produtos e serviços, aplicável só a organizações com produtos ligados à segurança no trânsito. Foi nessa segunda que a japonesa teve nota máxima.
Brasil está entre os 17 países avaliados
A metodologia foi ampliada de três para cinco estrelas neste ano. Aos dois pilares originais — comprometimento e pegada de segurança — somaram-se planejamento, monitoramento de desempenho e gestão de cultura de segurança. Para se adequar, a Honda estendeu a auditoria a 17 países, entre eles o Brasil, que somam mais de 90% de suas vendas globais de carros e motos.
Em fevereiro de 2025, quando o teto ainda era de três estrelas, a montadora já havia obtido a nota máxima, mas com avaliação restrita à operação japonesa. Segundo a empresa, foi a primeira da indústria automotiva a chegar lá — o anúncio da FIA na ocasião incluía outras nove companhias, como Amazon, Scania, Shell, Uber e Waymo.
A avaliação destacou o envolvimento da alta direção na estratégia, o rastreamento global de mortes e feridos em colisões e a divulgação ativa de dados.
Metas para 2030 e 2050
O compromisso público da Honda é reduzir pela metade, até 2030, as mortes em colisões envolvendo seus carros e motos — não em números absolutos, mas na proporção por 10 mil unidades vendidas, com 2020 como base. A meta seguinte é zerar essas mortes até 2050. Para o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, o avanço depende de ação em escala nos setores público e privado. A entidade tem defendido que governos incorporem a metodologia a marcos regulatórios.
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