Invenção da Stellantis detecta combustível adulterado no próprio carro e já avisa autoridades
Central de injeção identifica a falha ligada ao combustível e o GPS aponta o posto do abastecimento; painel orienta o motorista a poupar o carro
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 23/10/2026 às 08h00
Atualizado em 23/10/2026 às 08h18
A Stellantis quer que o próprio carro descubra o combustível adulterado e aponte o posto onde ele foi vendido.
A dona de Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën pediu ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de um sistema capaz de identificar possíveis irregularidades no combustível e enviar os dados à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O pedido foi revelado pela revista Veja.
Como funciona o sistema
A tecnologia usa informações da central de injeção eletrônica para detectar alterações no funcionamento do motor depois do abastecimento.
Quando identifica sinais compatíveis com problemas na qualidade do combustível, o sistema cruza esses dados com as coordenadas registradas pelo GPS do veículo para chegar ao posto onde o carro foi abastecido.
A proposta prevê um alerta no painel, que orienta o motorista a evitar o uso prolongado do carro até que o problema seja avaliado. Ao mesmo tempo, a conectividade do veículo poderá enviar à ANP um relatório com dados técnicos e a localização do posto.
Alerta não é prova de fraude
A falha detectada, porém, não comprova sozinha a adulteração nem a culpa do posto: a confirmação depende de análises adicionais.
Mesmo assim, saber onde o carro foi abastecido pode ajudar na investigação e na cobrança do conserto, já que combustível com água ou substâncias inadequadas provoca falhas de combustão e danifica componentes como bombas e injetores.
O problema é conhecido dos motoristas brasileiros: em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto apontou fraudes em mais de 300 postos ligados a um esquema com participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), com amostras de gasolina com até 90% de metanol — o limite legal é de 0,5%.
Por outro lado, 98,1% das amostras analisadas pela ANP em 2024 estavam dentro das especificações, segundo a agência.
Por se tratar de um pedido de patente, o projeto ainda passará pela análise do INPI antes de uma possível produção em série. A Stellantis não anunciou data de lançamento nem confirmou quais modelos receberão o sistema.
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