Jeep Compass tem ‘versões’ da Alfa Romeo e da Dodge, mas elas seguem vendendo cada vez menos
Derivados da mesma plataforma, Jeep Compass de 2ª geração, Alfa Romeo Tonale e Dodge Hornet são bons exemplos do 'badge engineering' da Stellantis
Publicado em 13/07/2026 às 11h00
Enquanto o Jeep Compass de 2ª geração acumula nove anos consecutivos como o SUV médio mais vendido do Brasil, dois “primos” que nasceram sobre a mesma base amargaram destino oposto no exterior. O Dodge Hornet, encerrado em janeiro, está com o estoque quase zerado nos Estados Unidos: restam menos de 90 unidades nas concessionárias, segundo levantamento do site Carscoops. Já o Alfa Romeo Tonale, seu irmão italiano, deve sair de linha em 2027.
Hornet e Tonale eram, na prática, variações do Compass de 2ª geração com outra carroceria e outro emblema. Os três dividem a plataforma Small Wide 4×4 LWB, arquitetura da antiga Fiat Chrysler que estreou com a atual geração do Compass, em 2017. Hornet e Tonale inclusive saíam lado a lado da fábrica de Pomigliano d’Arco, na Itália.



A lista de componentes compartilhados é longa: o motor 2.0 turbo a gasolina da família GME-T4, o mesmo usado em Jeep e Alfa Romeo, rende 272 cv e 40,8 kgfm no Hornet GT e também o Jee. As versões híbridas plug-in derivavam do sistema do Compass 4xe europeu: no Hornet R/T, o 1.3 turbo somado ao motor elétrico traseiro entrega 292 cv e 53 kgfm. Painel digital, central Uconnect 5, telas e boa parte das peças internas também eram comuns aos três, que têm dimensões parecidas: o Hornet mede 4,52 m de comprimento, ante cerca de 4,40 m do Compass.
A receita faz parte da estratégia de padronização de projetos da Stellantis, dona de 14 marcas. Ao repartir uma mesma plataforma entre Jeep, Dodge, Alfa Romeo e até a picape Fiat Toro, o grupo dilui os altos custos de desenvolvimento e acelera lançamentos, no chamado badge engineering.



O problema é que a fórmula não se converteu em vendas fora do Brasil. O Hornet teve seu melhor ano em 2024, com 20.559 unidades emplacadas nos EUA; em 2025, despencou para 9.365, queda de 54%. O Tonale vendeu apenas 5.652 exemplares no mesmo mercado em 2025, recuo de 36%. A Dodge atribuiu o fim do modelo a “mudanças no ambiente político”, leitura de mercado para a tarifa de 25% sobre importados, já que o carro vinha da Itália.
A comparação com o Brasil é reveladora. Só o Compass emplacou 61.262 unidades por aqui em 2025, alta de 22,4%, e figurou entre os dez carros mais vendidos do país. O volume é quase o triplo do melhor ano do Hornet e mais de dez vezes o do Tonale nos EUA.
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